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Brasil e EUA vão manter negociações sobre tarifaço

02/09/26

O Brasil e os Estados Unidos realizaram nesta segunda-feira (31) a primeira reunião técnica desde o último tarifaço imposto pelo governo Donald Trump a produtos brasileiros. O encontro virtual durou cerca de 40 minutos e abriu uma nova rodada de contatos entre os dois governos, inclusive com previsão de novas reuniões de setores técnicos nas próximas semanas.

Participaram da conversa os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, além do representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer.

O governo brasileiro afirmou que está aberto ao diálogo e busca um acordo equilibrado e mutuamente benéfico. Ao mesmo tempo, os ministros reafirmaram a discordância com as medidas unilaterais adotadas pelos Estados Unidos e classificaram como injustificado e discriminatório o tratamento dado ao Brasil nas investigações baseadas na Seção 301 da legislação comercial americana.

Em um evento promovido pelo mercado financeiro, o vice-presidente Geraldo Alckmin defendeu a interlocução em busca de um "ganha-ganha" das partes.

Brasil e EUA vão manter negociações sobre tarifaço

"Não tem tema proibido, não tem tema proibido. Então, todos os temas tarifários e não tarifários podem e devem ser colocados. Nós temos tudo para ir para um ganha-ganha. Quem mais compra, manufatura produto industrial é os Estados Unidos e é o maior investidor no Brasil. Tem quase 4 mil empresas", disse.
A retomada das conversas ocorreu após o contato por telefone entre os presidentes Lula e Donald Trump, no dia 21 de agosto.

A reunião desta segunda teve caráter exploratório, segundo interlocutores do Itamaraty, e não resultou em decisões conclusivas sobre as tarifas, que chegaram a atingir produtos brasileiros com alíquotas de até 37,5%.

O Brasil já iniciou os procedimentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica para avaliar uma eventual resposta às medidas americanas, embora o processo não signifique a aplicação automática de retaliações. A prioridade do governo, segundo o comunicado, é avançar nas negociações e buscar uma solução que preserve os interesses dos dois países e a soberania nacional.

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