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Água é a face mais visível das mudanças climáticas, diz presidente do Instituto Aegea

14/11/25

Água é a face mais visível das mudanças climáticas, diz presidente do Instituto Aegea

Waldick Júnior

Belém - Para o presidente do Instituto Aegea, Édison Carlos, a água é a face mais visível das mudanças climáticas. Ele esteve entre os convidados de um painel realizado na noite de quarta-feira (12), na Casa Esfera, em Belém (PA), como parte de uma programação paralela à Conferência do Clima (COP 30) que ocorre na cidade. O Instituto Aegea é o braço filantrópico da Aegea, controladora da Águas de Manaus.

“A gente está chegando a quase 900 cidades no país, levando água, coleta e tratamento de esgoto. Quando a gente consegue fazer isso, estamos tornando aquele lugar mais resiliente aos eventos climáticos. Essas comunidades vulneráveis são as que mais têm dificuldade para sair desses eventos climáticos extremos”, afirma.

Na seca histórica do rio Negro, em 2024, comunidades no município de Manaus, afastadas da zona urbana, ficaram sem água potável. Em alguns casos, foi preciso que a população vulnerável perfurasse poços ou carregasse o insumo por longas distâncias.
Édison Carlos diz que resolver o problema não é tarefa fácil e nem pode ser feita apenas pela iniciativa privada ou somente pelo poder público.

“Esses eventos climáticos têm vindo em um tamanho tão grande que ninguém tem, sozinho, a solução. No Rio Grande do Sul, de uma só vez, foram quase 300 cidades atingidas pela cheia. Então, não é uma empresa, um governo que consiga resolver sem colaboração. A chave é essa, atuar juntos”, afirma.

Saneamento

O evento do qual ele participou reuniu a pneumologista e pesquisadora da Fiocruz, Margareth Dalcomo, e o CEO da Aegea, Radamés Casseb. O painel tratou dos avanços e desafios do saneamento básico na Amazônia.

Édison Carlos apresentou o projeto Saneamento Salva, que busca trabalhar a conscientização da população a respeito da importância do acesso ao saneamento básico de qualidade, inclusive para a própria saúde.

“É uma plataforma onde médicos como a doutora Margareth e Drauzio Varela falam da relevância do saneamento. Também há professores, a Unicef, o Todos pela Educação, ou seja, entidades de muita credibilidade que destacam a importância das pessoas se unirem a esse movimento”, comenta.

A médica Margareth Dalcomo destacou que tem feito pesquisas sobre o impacto do saneamento no país, e que visitou cidades como Manaus e Belém. Para ela, essa é uma pauta que precisa ser abraçada pelos médicos. “Não quero passar o resto da vida tendo vergonha de dizer que vivo em um país onde um terço das escolas não têm saneamento básico”, disse.

O CEO da Aegea, Radamés Casseb, afirmou que a empresa tem atuado nos diferentes estados em que possui presença para expandir o acesso ao saneamento. Um exemplo foi o Rio Grande do Sul, onde a companhia assumiu a concessão um ano antes da enchente de 2024. “Uma capacidade de mobilização da companhia, dos acionistas, fizeram o apoio necessário para que, em 20 dias, após o ápice das enchentes, todos os nossos clientes tivessem água potável restabelecida”, contou.

Cenário

Segundo o Censo 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 68,4% da população dos 772 municípios da Amazônia Legal eram atendidos com abastecimento de água. Apenas 23,2% possuíam acesso a serviço de coleta de esgoto, incluindo fossas sépticas ligadas à rede geral de coleta de esgoto.

Os dados também mostram uma evolução desde os anos 2000. Em 17 anos, as cidades da Amazônia viram crescer 9,7% ao ano a rede de distribuição de água. Já a rede de esgoto cresceu cerca de 12,5% ao ano.

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