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A água do planeta saiu do padrão por sete anos seguidos: só 36% das bacias tiveram vazão normal em 2025

01/10/26

O Relatório da Organização Meteorológica Mundial mostra que o comportamento dos rios continua distante do padrão histórico. Em 2025, apenas cerca de 36% das bacias apresentaram vazão considerada normal, enquanto outras registraram volumes abaixo ou acima da média. O resultado prolonga uma sequência de sete anos marcada por alterações no ciclo hidrológico global.

Quando o ciclo hidrológico ficou fora do padrão
O levantamento da Organização Meteorológica Mundial compara a vazão observada com a média de referência de 1991 a 2020. Em 2025, os rios tiveram um dos anos mais secos das últimas três décadas e meia. A distribuição das anomalias também mostrou que a água não desapareceu de forma uniforme, pois algumas regiões enfrentaram excesso enquanto outras registraram escassez.

Quando a vazão normal virou minoria global
Para as bacias monitoradas, a situação normal ficou restrita a aproximadamente 36% dos casos em 2025. Cerca de 36% apresentaram descarga abaixo do padrão e 21% ficaram acima da média. Essa distribuição ajuda a explicar por que o problema não pode ser resumido apenas a uma seca global, já que o ciclo da água também passou a produzir extremos opostos.

A sequência chama atenção porque foi o sétimo ano consecutivo em que as condições normais ficaram em minoria. Entre 1991 e 2020, a média de bacias dentro da faixa considerada normal era de aproximadamente 46%. A diferença indica uma frequência maior de desvios na vazão dos rios e reforça a necessidade de acompanhar os dados hidrológicos de longo prazo.

A água do planeta saiu do padrão por sete anos seguidos: só 36% das bacias tiveram vazão normal em 2025

O relatório também mostra diferenças importantes entre regiões. Em partes da América do Norte, América do Sul, Oriente Médio e Ásia Central houve áreas com vazões abaixo do normal, enquanto partes do Sul e Sudeste Asiático apresentaram volumes acima da média. Os principais sinais observados foram:

36% das áreas de bacias globais tiveram descarga abaixo do normal;
21% apresentaram vazões acima da média histórica;
cerca de 36% permaneceram dentro da faixa considerada normal.
Quando a seca aparece junto de enchentes
O contraste entre regiões revela uma característica importante do cenário atual: falta e excesso de água podem ocorrer simultaneamente em diferentes partes do planeta. Uma bacia pode enfrentar redução da descarga anual enquanto outra recebe precipitações intensas e registra cheias. Para a população, isso afeta abastecimento, agricultura, energia e segurança contra eventos extremos.

Os dados também mostram que os rios respondem rapidamente às mudanças de precipitação e umidade do solo. Outros componentes do sistema hidrológico, como aquíferos e geleiras, reagem em escalas mais longas. Essa diferença dificulta a recuperação depois de períodos secos, principalmente quando as reservas subterrâneas continuam abaixo dos padrões históricos.

Quando as reservas de água continuam diminuindo
O problema não está restrito à vazão dos rios. O relatório aponta uma tendência de queda no armazenamento de água sobre as terras desde meados da década de 2010, considerando componentes como águas subterrâneas, lagos, rios, umidade do solo, vegetação, neve e gelo. O conjunto funciona como uma reserva que pode amortecer os efeitos de períodos com pouca chuva.

Nas águas subterrâneas, quase dois terços dos poços monitorados apresentaram condições fora da faixa histórica em 2025. As geleiras também perderam massa em todas as grandes regiões monitoradas pelo quarto ano consecutivo. Entre 2023 e 2025, a perda acumulada de gelo foi estimada em cerca de 1.400 gigatoneladas de água.

Os dados reunidos pela Organização Meteorológica Mundial permitem observar diferentes partes desse sistema ao mesmo tempo. Entre os indicadores acompanhados estão:

descarga e vazão dos principais rios e bacias;
água armazenada no solo, lagos, rios e reservatórios;
níveis de águas subterrâneas e condições de aquíferos;
neve e gelo acumulados em regiões de montanha;
perdas de massa das geleiras em diferentes continentes.
Quando os dados ajudam a prever riscos
A irregularidade observada nas bacias torna o monitoramento hidrológico mais importante para o planejamento. Séries históricas permitem identificar desvios persistentes, enquanto medições de chuva, vazão, umidade do solo e armazenamento ajudam a acompanhar a evolução de uma região. O relatório combina observações nacionais, modelos hidrológicos globais e informações obtidas por satélites.

Para os pesquisadores, ampliar a cobertura dos dados é essencial porque ainda existem áreas com poucas observações, inclusive regiões fortemente atingidas por eventos extremos. A comparação entre diferentes fontes permite identificar alterações na disponibilidade de água e melhorar sistemas de alerta para secas, enchentes e outros riscos associados ao ciclo hidrológico.

O que os números mostram sobre o ciclo hidrológico
Os resultados de 2025 não representam apenas uma alteração isolada na vazão dos rios. Eles fazem parte de uma sequência de sete anos em que as bacias dentro da faixa normal permaneceram em minoria. Ao mesmo tempo, a redução das reservas terrestres e a perda de gelo acrescentam sinais de mudança em componentes mais lentos do sistema de água.

A combinação desses indicadores ajuda a explicar por que o acompanhamento científico precisa considerar rios, precipitação, águas subterrâneas, solo, neve e geleiras em conjunto. A vazão anual pode mudar rapidamente, mas as reservas que sustentam os sistemas hídricos levam muito mais tempo para se recuperar, tornando os dados de 2025 relevantes para compreender a evolução da água doce no planeta. A busca por alternativas para ampliar a disponibilidade de água também passa por soluções capazes de transformar água do mar em recurso potável.

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