Agência Nacional de Águas concorre a prêmio global por avanços no saneamento básico
06/04/26

Divulgação
A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) foi indicada à categoria de Agência Pública de Água do Ano no Global Water Awards. O prêmio internacional reconhece avanços em sustentabilidade, tecnologia e gestão de recursos hídricos, destacando o papel da autarquia brasileira na formulação de regras para o setor de saneamento.
A indicação ocorre em um momento em que o Brasil busca organizar seu ambiente regulatório para atrair capital e cumprir metas de universalização. O reconhecimento evidencia a tentativa do país de dar segurança jurídica a operadores e investidores por meio de indicadores de desempenho comparáveis em escala nacional.
Para o superintendente adjunto de Regulação de Saneamento Básico da ANA, Alexandre Anderáos, a nomeação valida o esforço de fortalecimento institucional. “Na prática, esse reconhecimento internacional ajuda a dar mais visibilidade e legitimidade a uma agenda que busca ampliar o acesso com maior equidade territorial e social”, afirma.
Novas normas contra o desperdício
A consolidação de normas de referência motivou a escolha da ANA pelos organizadores da premiação (Global Water Intelligence). Entre as ações recentes destacadas no texto base da indicação estão a edição de regras para os quatro pilares do saneamento: água, esgoto, limpeza urbana e manejo de águas pluviais.
A agência também criou marcos normativos em 2025 para reduzir perdas na distribuição, um dos principais gargalos técnicos do país, e para regulamentar o reuso não potável da água proveniente de efluentes sanitários, permitindo sua aplicação na irrigação agrícola e limpeza de vias.
“Reduzir perdas significa aproveitar melhor a água já produzida, diminuir desperdícios e ampliar eficiência sem pressionar desnecessariamente os mananciais”, diz Anderáos.
O peso do déficit no Brasil
Apesar do reconhecimento normativo, o setor produtivo e a infraestrutura brasileira operam com defasagens históricas. Dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa) de 2025 revelam que, ao longo de 2024, a rede de abastecimento de água atendia 84,1% da população. O déficit é mais crítico no esgotamento sanitário, cuja cobertura alcançou 62,3%.
No período, as injeções financeiras registraram R$ 14,59 bilhões para o abastecimento de água e R$ 13,68 bilhões para redes de esgoto. O representante da ANA avalia que o ambiente legal favorece a transformação desse capital em infraestrutura real. “Melhorar a prestação dos serviços depende de coordenação, referências nacionais, previsibilidade contratual e redução de incertezas regulatórias”, pontua o gestor.
Decisão e concorrentes
A autarquia federal brasileira disputa o título global com outras quatro instituições: Korea Water Resources Corporation (Coreia do Sul), Orange County Water District (Estados Unidos), Sharakat (Arábia Saudita) e Suruhanjaya Perkhidmatan Air Negara (Malásia).
O resultado será definido por votação entre os membros da GWI, e o anúncio dos premiados está previsto para o dia 19 de maio.
