Ameaça do El Niño liga sinal de alerta máximo no Rio
22/08/26
O Governo do Estado do Rio de Janeiro reuniu nesta segunda-feira representantes dos 92 municípios fluminenses para discutir e apresentar estratégias de antecipação e resposta ao Super El Ninõ, que já apresenta reflexos no Brasil e deve se intensificar nos próximos meses.
O encontro, aconteceu na Universidade do Estado do Rio de Janeiro e contou com a presença do iG.
No plano criado, o Governo do Estado terá ao lado dos municípios uma agenda permanente de cooperação e alinhamento técnico interinstitucional para a gestão de riscos e resposta aos desastres climáticos consolidando o Decreto Estadual nº 50.357/2026, que instituiu um Comitê Estadual de Enfrentamento aos Efeitos do El Niño.

"A criação do comitê é uma medida acertada, considerando que no presente momento já passamos pelos efeitos do El Niño". No momento está sendo realizado um trabalho com quatro câmaras técnicas que vão produzir soluções, vão produzir doutrina sobre esse tema e multiplicar isso para os municípios"
Coronel Tarciso - Secretário de Defesa Civil do Rio de Janeiro
Principais efeitos
Durante a coletiva de imprensa, o iG questionou ao Secretário Estadual de Meio Ambiente Rodrigo Mascarenhas sobre quais das ameaças que foram apresentadas como possibilidades já foram mapeadas para acontecer no calendário do estado.
Segundo as projeções científicas, nos próximos meses com a intensificação do El Niño no Sudeste podem causar cenários como ondas de calor extremo, estiagem, escassez hídrica, queimadas, vendavais e tempestades severas.
Para combatê-las, foram apresentadas no encontro quatro Câmaras Técnicas de quatro secretarias das 18 que lideram o Comitê Estadual, reunindo a expertise de diferentes áreas operacionais.
Nova ferramenta de monitoramento
A Secretaria de Defesa Civil, que preside o Comitê montado, apresentou o 1º Mapa de Risco Humano, ferramenta científica de geoprocessamento que cruza dados de ameaças climáticas, exposição populacional e vulnerabilidade social para otimizar os recursos públicos.
A secretaria atuará por meio do Gabinete Integrado de Gestão de Riscos e da Força Especializada, operando com salas de situação e monitoramento via drones.
Saúde
A Secretaria de Saúde contará com o Índice Multidimensional de Excesso de Calor, método que integra dados meteorológicos, ambientais, demográficos e assistenciais do SUS para classificar o nível de risco de calor das cidades e emitir alertas com até cinco dias de antecedência pelo Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde.
A estrutura inclui a implantação de pontos de hidratação nas 27 UPAs estaduais, reforço de veículos de intervenção rápida e motolâncias, suporte de duas aeronaves para salvamento e transporte de insumos, além do mapeamento comunitário de moradores com mobilidade reduzida.
"Está havendo distribuição de recursos para que os municípios possam utilizar da melhor maneira possível e prevenir agravos de doença de qualquer natureza...Os agentes comunitários dos municípios, que são mais de 20 mil no estado do Rio de Janeiro, serão acionados, serão convocados para que possam ajudar a mitigar os efeitos na prática"
Ronaldo Damião - Secretário de Saúde do Rio de Janeiro
Sistema de Alerta de Cheias
Outra ferramenta estratégica para os impactos do El Ninõ, a Secretaria do Ambiente e Sustentabilidade e Instituto Estadual do Ambiente (Inea) colocou à disposição dos municípios o fortalecimento da Rede Hidrometeorológica e do Sistema de Alerta de Cheias, além de intensificar a vigilância no Sistema Paraíba do Sul/Guandu.
Para apoiar as prefeituras na prevenção de enchentes e desassoreamento de corpos d'água, o Estado também anunciou a ampliação de frentes de dragagem e limpeza manual e mecânica em todas as regiões hidrográficas fluminenses.
E para o combate à estiagem e incêndios florestais, as prefeituras foram avisadas que contam com o suporte estratégico e ações integradas de proteção nas 39 Unidades de Conservação estaduais.
Impactos no setor agropecuário e na pesca
Trazendo dados de suporte ao interior fluminense, a Secretaria de Agricultura, Pecuária, Pesca e Desenvolvimento Interior anunciou que todos os gestores municipais terão acesso a diagnósticos precisos sobre os impactos climáticos no setor agropecuário e na pesca.
A medida serve para que produtores locais tenham uma melhor estruturação de rotas prioritárias de assistência técnica e suporte a campo, para diminuir perdas de produtividade, conter o estresse hídrico e proteger a infraestrutura rural.
Treinamentos e reuniões
Um dos pontos centrais do encontro, foi o anúncio de uma agenda contínua de treinamentos e reuniões técnicas para capacitar os órgãos locais dos 92 municípios, feita pelo Governo do Rio.
Os encontros terão início entre os dias 25 e 28 de agosto, com oficinas presenciais da Secretaria de Saúde voltadas às equipes de Vigilância em Saúde e Atenção Primária municipais.
Nesses encontros, serão detalhados os protocolos de resposta por níveis de severidade (De 0 a 4) e a entrega de cartilhas com orientações, divididas para gestores, profissionais, população e proteção animal.
Na sequência, a Defesa Civil estadual promove, no dia 26 de agosto, uma oficina para a implantação das Salas Municipais de Observação e Monitoramento de Eventos Climáticos.
Em setembro, no dia 3, a agenda conta com o treinamento para elaboração e atualização dos Planos de Contingência Municipais, no dia 11, com a capacitação em planejamento orçamentário aplicado à Proteção e Defesa Civil, e no dia 17 com a orientação técnica para a criação do Fundo e do Conselho Municipal de Proteção e Defesa Civil.
Além disso, está prevista uma oficina prática voltada ao mapeamento de ilhas de calor urbanas, sem data anunciada.
