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ANA aponta SIN com 65,9% do volume útil e Cantareira em recuperação na 5ª edição do Painel El Niño

29/10/26

Foi publicada a quinta edição do Boletim Mensal do Painel El Niño , referente a outubro de 2026. A publicação pode ser acessada no site da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e no do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). No documento, a ANA informa que o volume equivalente dos reservatórios do Sistema Interligado Nacional (SIN) atingiu 65,9% do volume útil, o segundo maior valor para a data desde 2015, e destaca a situação dos Sistemas Hídricos de bacias como Paranapanema, São Francisco, Tocantins, Madeira e Xingu, além do armazenamento no Nordeste, do Sistema Cantareira e do Monitor de Secas, que a Agência coordena.

O boletim é resultado de ação conjunta entre o INMET, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a ANA, o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (CEMADEN), o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC) e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM), e apresenta informações sobre o monitoramento e as previsões relacionadas ao fenômeno El Niño para o período de 2026 e 2027, bem como os possíveis impactos associados.

Segundo o documento, os modelos climáticos indicam probabilidade de 100% de permanência das condições de El Niño até, pelo menos, o início de 2027, com alta probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte, quando a temperatura do Oceano Pacífico Equatorial poderá ficar mais de 3,0°C acima da média no verão de 2026-27. A previsão para o trimestre outubro-novembro-dezembro (OND) de 2026 indica, de forma geral, chuvas acima da média em áreas da Região Sul e chuvas abaixo da média no centro-norte do País, cenário que, combinado a temperaturas elevadas, deverá intensificar o déficit hídrico nessas áreas.

Sistemas do SIN permanecem na Faixa Normal; Sul armazena 78,1% do volume útil

De acordo com a ANA, o volume equivalente do SIN atingiu 65,9% do volume útil, redução de 5,4% em relação ao início de setembro. Na Região Sul, os reservatórios de regularização do SIN armazenavam 78,1% do volume útil. Dos reservatórios com previsão de volume de espera para controle de cheias na região, Salto Santiago e Passo Real, apenas Passo Real está em período de controle de cheias, mas ainda sem ocupação do volume de espera.

A Agência informa que todos os Sistemas Hídricos com reservatórios do SIN que têm faixas operativas estabelecidas pela ANA permanecem na Faixa Normal. No Paranapanema, as afluências se mantiveram elevadas em outubro, duas vezes superiores à vazão média de longo termo (MLT) do mês, o que manteve os armazenamentos de Jurumirim (79,9%), Chavantes (78,5%) e Capivara (73,8%). Também permanecem na Faixa Normal os sistemas do São Francisco (Três Marias: 71,9%; Sobradinho: 62,0%), do Tocantins (Serra da Mesa: 43,6%), do Grande (Furnas: 63%; Mascarenhas de Moraes: 76%) e do Paranaíba (Emborcação: 54%; Itumbiara: 64%).

No rio Madeira, a ANA registrou recuperação das vazões em outubro, e as defluências dos aproveitamentos hidrelétricos de Jirau e Santo Antônio permaneceram acima dos requisitos mínimos para a navegabilidade da hidrovia. No rio Xingu, as vazões continuam em recessão. A Agência informa que a flexibilização temporária da vazão mínima garantida ao Reservatório Intermediário da UHE Belo Monte, de 300 m³/s para 100 m³/s, autorizada pela Resolução ANA nº 299/2026, permanece vigente até 30 de novembro, com o objetivo de preservar a transposição de peixes, a segurança eletroenergética e a navegabilidade regional.

O Sistema de Acompanhamento de Reservatórios (SAR) da ANA monitora atualmente 411 açudes na Região Nordeste e no semiárido mineiro. Em 23 de outubro, o reservatório equivalente da região correspondia a 45,4% da capacidade total, ante 47,2% em setembro. Dos açudes monitorados, 103 apresentavam armazenamento inferior a 20% da capacidade. Entre os 41 Sistemas Hídricos Locais regulados pela ANA, 12 encontram-se em Estado Hidrológico Vermelho.

ANA aponta SIN com 65,9% do volume útil e Cantareira em recuperação na 5ª edição do Painel El Niño

Já o Sistema Cantareira, principal manancial da Região Metropolitana de São Paulo, armazenava 46,0% do volume útil em 22 de outubro, aumento de 4,7% em relação a setembro. Segundo a ANA, o sistema opera na Faixa 2 (Atenção), nos termos da Resolução Conjunta ANA/DAEE nº 925/2017, e deverá manter essa faixa de operação em novembro de 2026.

Monitor de Secas mostra avanço da seca grave no Nordeste e no Norte

Conduzido pela ANA em parceria com outros órgãos, o Monitor de Secas aponta que, entre agosto e setembro de 2026, o Nordeste — que em ambos os meses registrou a situação mais grave do País — teve a área em seca grave ampliada de 16% para 28% da região, com impactos de curto e longo prazo associados à escassez hídrica e a prejuízos à agricultura familiar. Na Região Norte, que apresenta a segunda situação mais grave do Brasil, a área em seca grave dobrou de 4% para 8% no período, com destaque para o expressivo aumento de incêndios florestais no Amazonas, inclusive em áreas no entorno de Manaus.

No Centro-Oeste e no Sudeste, as chuvas de setembro favoreceram o abrandamento da seca, com redução mais expressiva no Sudeste, onde a área em seca moderada caiu de 39% para 21%. No Sul, os três estados da região aparecem livres do fenômeno pelo segundo mês consecutivo, e o principal risco monitorado passa a ser a ocorrência de grandes inundações.

Salas de Crise e reuniões de acompanhamento de bacias

A ANA mantém Salas de Avaliação, Acompanhamento e Crise em diversos sistemas hídricos e bacias hidrográficas do País, com informações técnicas de instituições como o INPE, o INMET, o CEMADEN, o SGB e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Entre os próximos encontros, estão a 11ª Reunião da Sala de Acompanhamento do Sistema Hídrico do Rio São Francisco (3/11, às 10h); a 116ª Reunião do Grupo de Assessoramento à Operação do Sistema Hidráulico Paraíba do Sul – GAOPS (10/11, às 15h); a 11ª Reunião da Sala de Acompanhamento do Sistema Hídrico do Rio Paranapanema (19/11, às 15h); a 10ª Reunião da Sala de Crise da Região Sul (24/11, às 10h); a 11ª Reunião da Sala de Acompanhamento do Sistema Hídrico do Rio Tocantins (25/11, às 10h); a 11ª Reunião da Sala de Acompanhamento do Sistema Hídrico da Região Hidrográfica do Paraná (26/11, às 10h); a 14ª Reunião de Avaliação das Condições Hidrometeorológicas da Bacia do Alto Paraguai/Pantanal (3/12, às 15h) e a 1ª Reunião da Sala de Crise da Região Norte (4/12, às 15h). Todos os encontros são transmitidos ao vivo pelo canal da ANA no YouTube .

Recomendações aos estados, municípios e à população

Diante do cenário de intensificação do El Niño, o Painel recomenda que estados e municípios revisem e atualizem seus Planos de Contingência, fortaleçam os processos de monitoramento e alerta, e intensifiquem a articulação com os sistemas setoriais ligados a recursos hídricos, meio ambiente, saúde e assistência social. À população, a orientação é permanecer atenta às previsões, avisos e alertas oficiais e realizar o cadastro para recebimento de avisos das defesas civis locais, disponíveis por WhatsApp, Telegram ou SMS. Os cidadãos também devem buscar informações sobre os planos de contingência de seus municípios, que reúnem os locais seguros e as rotas de fuga em caso de eventos críticos.

O Boletim Mensal

Iniciado em julho deste ano, o Boletim Mensal do Painel El Niño apresenta informações sobre o monitoramento e as previsões relacionadas ao fenômeno climático El Niño, que ocorre com o aumento da temperatura da superfície do mar no Oceano Pacífico Equatorial, para o período de 2026 e 2027, assim como os possíveis impactos associados. O material resulta da ação conjunta do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (CEMADEN), do Serviço Geológico do Brasil (SGB), da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC) e do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM).

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