ANA lança Atlas de Risco a Inundações da Região Sul e identifica 878 municípios com risco de inundações ou enxurradas
28/10/26
A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) lançou nesta quarta-feira, 28 de outubro, o Atlas de Risco a Inundações da Região Sul , durante o V Encontro Nacional de Desastres (END) e o II Encontro Brasileiro de Hidrologia Estatística (EBHE), em Fortaleza. O estudo identificou 878 municípios com risco de inundações ou enxurradas, o equivalente a 74% dos 1.191 municípios da região.
Desse total, 115 municípios foram classificados com risco muito alto, 204 com risco alto, 290 com risco médio e 269 com risco baixo. As duas classes mais críticas reúnem 319 municípios, mais de um quarto de todos os municípios do Sul.
A publicação atualiza e aprimora o Atlas de Vulnerabilidade a Inundações, lançado pela ANA em 2014, especificamente para a região Sul. A nova edição reúne mapas e bases de dados
que permitem caracterizar a frequência e os impactos das inundações em áreas urbanizadas ao longo dos rios de cada município.
As informações produzidas contribuem para a prevenção de desastres e subsidiam a priorização de investimentos, a ampliação do monitoramento e dos sistemas de alerta, a elaboração de planos de contingência e a adoção de medidas voltadas à proteção das comunidades expostas aos riscos de inundações.
A atualização ocorre em um contexto de intensificação de eventos extremos. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), as mudanças climáticas tendem a aumentar a frequência e a intensidade de eventos extremos, e estudos citados no Atlas indicam tendência de aumento na magnitude e na frequência de cheias e inundações na Região Sul.
Desde 2014, houve avanço nos registros do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD) e no Atlas Digital de Desastres do Brasil, além da ampliação da Rede Hidrometeorológica Nacional, com sistemas de alerta operados pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) nas bacias dos rios Caí (desde 2012), Taquari (desde 2015) e Uruguai (desde 2018).
Resultados por estado
O risco está distribuído por toda a região, mas com perfis distintos em cada estado. O Atlas identificou risco em 878 dos 1.191 municípios do Sul (73,7%), quase três em cada quatro.
• Santa Catarina tem a maior proporção de municípios com risco identificado: 266 dos 295 (90,2%). São 55 com risco muito alto, 79 com risco alto, 77 com risco médio e 55 com risco baixo. As classes alto e muito alto somam 134 municípios, cerca de metade dos catarinenses com risco. O Atlas associa a exposição histórica do estado à combinação de chuvas intensas recorrentes, relevo acidentado e ocupação urbana de fundos de vale e planícies fluviais, com risco concentrado no litoral e na bacia do Rio Itajaí.
• Rio Grande do Sul reúne o maior número de municípios com risco identificado: 346 dos 497 (69,6%). Desses, 43 têm risco muito alto, 82 alto, 108 médio e 113 baixo, o que dá 125 municípios nas duas classes mais críticas. O estado já conta com um atlas específico, elaborado após as cheias extraordinárias de 2023 e 2024.

• Paraná tem 266 dos 399 municípios (66,7%) com risco identificado: 17 com risco muito alto, 43 alto, 105 médio e 101 baixo. Embora predominem as classes médio e baixo, 60 municípios paranaenses estão nas duas classes mais críticas.
Bacias litorâneas concentram os casos mais críticos
Por bacia hidrográfica, as Bacias Litorâneas Estaduais de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul reúnem, respectivamente, 95 e 84 municípios com risco alto ou muito alto. Também se destacam as bacias dos rios Uruguai, com 57 municípios nessas classes, e Iguaçu, com 40. O Atlas relaciona o padrão tanto às bacias litorâneas, de rios curtos e resposta hidrológica rápida, quanto às grandes bacias, onde a ocupação urbana ao longo dos principais rios amplia a exposição das sedes municipais.
No litoral catarinense, a bacia do Rio Itajaí concentra o maior número de municípios com risco muito alto (25) e alto (18), seguida pelas bacias dos rios Araranguá e Tubarão, com 11 municípios cada. No litoral gaúcho, lideram a bacia do Taquari-Antas (18 municípios), a do Rio dos Sinos (14), a do Baixo Jacuí (11) e a do Rio Caí (9). Na bacia do Uruguai, são de risco muito alto os municípios ribeirinhos de Itapiranga (SC), Barra do Guarita, Porto Xavier, São Borja, Itaqui e Uruguaiana (RS). Na do Iguaçu, o risco muito alto se concentra na cabeceira e no curso principal, enquanto no baixo curso, onde há reservatórios que ajudam a regularizar as vazões, predominam as classes média e baixa.
Metodologia
A metodologia utilizada pelo Atlas reúne três abordagens complementares e considera o conhecimento técnico das equipes estaduais. A avaliação é realizada a partir do cruzamento de áreas urbanizadas com manchas de inundação, da análise de cheias com base em dados de estações fluviométricas e da avaliação qualitativa da frequência dos eventos e da magnitude dos danos humanos registrados no Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD). A classificação final leva em conta a maior classe de risco identificada entre os métodos aplicáveis e passa por revisão e validação dos órgãos estaduais.
Parceiros
A publicação contou com a colaboração técnica da Secretaria de Meio Ambiente e Infraestrutura do Rio Grande do Sul (SEMA/RS); da Casa Militar e Defesa Civil do Rio Grande do Sul; da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e da Economia Verde de Santa Catarina (SEMAE/SC); da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina; da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri); do Instituto Água e Terra (IAT) e da Coordenadoria Estadual da Defesa Civil do Paraná; e do Serviço Geológico do Brasil (SGB).
Serviço
Publicação: Atlas de Risco a Inundações da Região Sul (ANA, 2026)
Onde acessar: confira aqui.
Mapas interativos, tabelas de dados e demais informações estão disponíveis neste link .
