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Com reservatório de água em estado crítico, cidade decreta emergência

24/07/26

Com reservatório de água em estado crítico, cidade decreta emergência

Divulgação

Na parte mais alta do centro de Itaúba, no Norte de Mato Grosso, está um reservatório com capacidade de 300 mil litros, construído em alvenaria, no ano de 1982. A estrutura que abastece cerca de 60% da população local está precária demais para ser reformada e a estratégia do município é erguer dois novos reservatórios e interditar o antigo antes do seu colapso.

É o que explica o prefeito de Itaúba, Antônio de Oliveira Neto. No final do mês de junho o gestor assinou o decreto 055/2026, declarando situação de emergência e comunicando a Defesa Civil sobre um evento de “colapso de edificações” – termo técnico que descreve a circunstância. Nesta terça-feira (21), o governador do Estado, Otaviano Pivetta, homologou a situação de emergência de Itaúba.

O decreto do prefeito e o aval do Estado conferem ao município uma excepcionalidade para ações administrativas em resposta ao desastre. A gestão passa a ter uma permissão prévia para contratar sem licitação, desapropriar por utilidade pública as áreas de risco e fazer a remoção de pessoas potencialmente afetadas. Mas essas medidas levam em conta um cenário catastrófico, o que segundo o prefeito, não é o caso. “O risco da estrutura está no fundo e na cobertura. As paredes do reservatório estão fortes. Não há risco de rompimento, nem habitações ou comércios próximos demais. A preocupação é de que o reservatório se torne inoperante. Não é sobre a estrutura estourar e sim sobre grande parte da população ficar sem água”, explicou Antônio.

Para Itaúba a “excepcionalidade” mais importante garantida pela situação de emergência é a possibilidade de receber recursos do Estado mesmo durante o período eleitoral. O prefeito informou que está pleiteando junto a Sinfra (Secretaria Estadual de Infraestrutura), a aprovação de convênios para as ações voltadas a resolver o problema. O plano ideal é construir outros dois reservatórios, de 500 mil litros cada – um no bairro Cidade Alta/Jardim Vitória e outro no Centro, onde está o antigo tanque de alvenaria. O custo estimado é de R$ 1,7 milhão cada, resolvendo não apenas o problema atual, como superdimensionando o sistema de abastecimento da cidade para suportar o crescimento dos próximos anos. “O Estado tem viabilizado recursos para obras de saneamento em vários municípios e acredito que Itaúba também será contemplada. Se não for na totalidade, para os reservatórios, que seja para medidas paliativas, como a instalação de reservatórios temporários, de plástico”, pontuou o prefeito. “Se não vierem recursos do Estado, vamos ter que achar uma forma de fazer com recurso próprio”, completou o prefeito.

Além do antigo reservatório central, existem outros dois tanques, mais modernos, feitos em aço, cada um com capacidade para 60 mil litros. Esses sistemas não são integrados, abastecendo pontos específicos da cidade. A água que abastece domicílios e comércios de Itaúba é subterrânea, extraída de poços artesianos e clorada antes de ser distribuída. Toda a operação é feita por um departamento municipal, gerido pela prefeitura – diferente de boa parte das cidades do eixo Norte, em que o saneamento básico é operado por concessão pública.

Um levantamento recente da prefeitura apontou que mais de 200 famílias de Itaúba não possuem caixas d’água. Uma “pane” no reservatório central deixaria imediatamente essas pessoas sem água tratada. “É um ano atípico, com ‘El Niño’ [fenômeno climático], então já estamos antevendo problemas no abastecimento. A situação de emergência vai ajudar Itaúba a se antecipar”, apontou Antônio.

Às margens da BR-163, Itaúba tem uma população estimada em 5 mil habitantes.

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