Copasa (CSMG3) salta 100% com privatização no radar: quais cenários para as ações?
02/12/25

Divulgação
O Bradesco BBI reiterou recomendação neutra para as ações da companhia de saneamento mineira Copasa (CSMG3), ainda que com preço-alvo de R$ 56, ou um potencial de alta de 35% em relação ao fechamento de novembro.
No acumulado do ano, as ações da Copasa tiveram valorização de cerca de 100% no acumulado do ano devido às expectativas de privatização (o governo de Minas Gerais avançou significativamente para a venda da Copasa no 1T26), além das melhorias na regulação introduzidas/planejadas pela ARSAE (Agência Regional de Supervisão e Segurança do Meio Ambiente) antes da privatização (muitas das quais persistiriam mesmo se a privatização fosse adiada ou não ocorresse).
O banco revisou as suas estimativas para refletir uma probabilidade de 99% de privatização.
Refletindo a provável privatização, o banco projeta um CAGR (taxa média de crescimento anual ponderado) para o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) de 17% e um CAGR de LPA (lucro por ação) de 16% para o período de 2025 a 2030 da Copasa, visto que as despesas operacionais são reduzidas e os lucros crescem com a adição anual de capex (investimentos) ao RAB (base de ativos regulatórios) para gerar retornos/receitas (similar à Sabesp – SBSP3).
Em relação aos dividendos, como a Copasa provavelmente não terá restrições de pagamento em seu estatuto, o BBI assume um pagamento constante de 75% ao ano, elevando o rendimento de dividendos para aproximadamente 7% no ano fiscal de 2026, subindo para aproximadamente 8% no ano fiscal de 2027, 11% em 2028 e mais de 12% no ano fiscal de 2029 e anos subsequentes.
Assim o cenário base é de um novo preço-alvo de R$ 56/ação. “Mantivemos a recomendação Neutra, mas em um cenário sobre perspectivas mais otimistas, o potencial de valorização seria ainda maior e os ganhos com dividendos justificam a manutenção do papel em carteira aos investidores que buscam renda”, avalia.
Neste cenário otimista, uma Copasa privatizada poderia atingir, por exemplo, um valor justo mais alto no final de 2026 de R$ 80/ação (potencial de alta de 92%), impulsionado por: (i) cortes mais profundos nas despesas operacionais de cerca de 50%, além de uma eventual compressão da TIR/taxa de desconto para 8,5% (100 pontos-base acima do rendimento real da NTN-B) à medida que o rendimento de dividendos da Copasa aumenta.
Já no cenário pessimista, a privatização é cancelada ou adiada e a Copasa permanece uma estatal, o que implica um valor justo de aproximadamente R$ 32 por ação (desvalorização de 24%).
“Notavelmente, a queda no VPL (Valor Presente Líquido) não é realmente mais acentuada porque muitas das melhorias na regulamentação que serão confirmadas em breve provavelmente serão mantidas (por exemplo, atualização anual do capex/RAB)”, avaliam os analistas.
Neste momento, dado o progresso feito pelo governo do estado de Minas Gerais (MG), o BBI considera este cenário altamente improvável.
Mobilização do governo
Os analistas do BBI ainda questionam por que o estado de Minas Gerais está se mobilizando rapidamente para vender a Copasa.
“Minas Gerais enfrenta sérias dificuldades financeiras há muitos anos, com uma dívida assustadora de mais de R$ 150 bilhões com o governo federal brasileiro, que atualmente negocia o pagamento com redução e juros mais baixos”, avalia o banco, ressaltando que essa negociação inclui o pagamento de parte da dívida pelo governo de Minas Gerais por meio da transferência de certos ativos estaduais, além de algumas obrigações de investimento em 2026.
A Copasa não está na lista de ativos que serão repassados ao governo federal para amortização da dívida. No entanto, o estado precisa de dinheiro para cumprir as obrigações de investimento em 2026 que fazem parte do acordo e é por isso que MG está propondo vender uma grande parte de sua participação de 50,1% na concessionária de água Copasa (provavelmente mantendo ainda 10% a 15%, mas provavelmente com um limite de 10% para os votos), sem o que não conseguiria fechar as contas.
Na avaliação do banco, a probabilidade de privatização da Copasa no início de 2026 parece bastante alta. O governo do estado de MG conseguiu recentemente negociar com a legislatura para remover da constituição estadual a necessidade de um referendo popular inicial para aprovar a privatização da Copasa – o referendo precisaria ocorrer antes mesmo da votação da legislatura sobre o projeto de lei para privatizar a Copasa, tornando, assim, a privatização mais difícil e/ou politicamente custosa.
Existem outros marcos importantes antes de se chegar à privatização da Copasa no início de 2026, como obter a aprovação do Tribunal de Contas da Transparência de Crédito Tributário (TCE) do estado e, mais importante, assinar um novo contrato de concessão com a capital Belo Horizonte (BH), que representa 1/3 da receita (a Copasa provavelmente teria que pagar uma caução de concessão de R$ 1 bilhão a R$ 1,5 bilhão, que provavelmente seria incluída no RAB).
Quanto às outras 636 cidades/concessões sob a atual gestão da Copasa, elas provavelmente seguirão o que Belo Horizonte fizer/assinar, embora seja improvável o pagamento de taxas adicionais de extensão de concessão (cidades menores não têm poder de negociação).
Entre outras características, este novo contrato de concessão estenderia a concessão da BH por mais 39 anos (de 2034 para 2073), permitindo que a Copasa amortize os investimentos. Além disso, o contrato provavelmente incluiria certas disposições relacionadas à regulamentação estatal revisada/aprimorada, embora o BBI não tenha certeza de que seria tão abrangente quanto no caso da Sabesp (SBSP3).
