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Divisor de águas: avenida de Carazinho separa duas das principais bacias hidrográficas do RS

29/09/25

Divisor de águas: avenida de Carazinho separa duas das principais bacias hidrográficas do RS

Mateus Buttura / Jornal Folha da Produção / Divulgação

Uma particularidade geográfica em Carazinho define o município do norte gaúcho como um divisor de águas: ao leste da Avenida Flores da Cunha correm os rios que deságuam no Jacuí, enquanto a oeste as águas se dirigem ao Rio Uruguai. Essa condição coloca o município no ponto de encontro de duas das principais bacias hidrográficas do Estado.

onforme o geógrafo Sebastião Júnior de Albuquerque Silva, a marca de "divisor de águas’" se consolidou com o desenvolvimento histórico da avenida que corta o centro de Carazinho. Ela foi construída sobre uma crista geográfica, elevação natural que separa o fluxo das águas.

— A Avenida Flores da Cunha foi desenhada sobre essa crista, que corta o município de norte a sul na parte urbana. Tudo o que chove do lado oeste corre para a calha do Rio Uruguai. Já do lado leste, corre para o Jacuí, passa pela Laguna dos Patos e depois deságua no Oceano Atlântico — explica o geógrafo.

Entre os cursos de água que banham a cidade, estão: o Rio da Várzea, responsável pelo abastecimento da população e ligado ao Rio Uruguai; o Rio Jacuí Mirim, o Rio da Glória e o Rio Colorado, ligados ao Jacuí, além de pequenas sangas que atravessam a área urbana.

Desenvolvimento histórico

A posição geográfica também teve reflexos na ocupação da região. O geógrafo lembra que o município se desenvolveu com a passagem dos tropeiros que levavam gado e mulas em direção a Sorocaba (SP):

— As tropas se beneficiavam da crista, por ser uma parte mais alta na rota e menos acidentada. Então ela foi desenhada desta forma por ser um local fácil de transitar, sem precisar passar por dentro dos rios.

A crista geográfica que passa pelo município também beneficiou a construção da estrada de ferro, consolidada sobre o mesmo relevo, no contorno da Avenida Flores da Cunha.

— A ferrovia construída em cima da crista foi muito importante para o crescimento urbano e industrial de Carazinho, especialmente com a produção de madeira e para o antigo frigorífico carazinhense, empreendimentos importantes no desenvolvimento econômico carazinhense — pontua Sebastião.

Passo Fundo também tem essa característica: a mesma crista que corta Carazinho passa na cidade pela Avenida Rio Grande, depois pela Rua Teixeira Soares e então segue diagonalmente em direção à Praça Marechal Floriano. Por fim, acompanha a extensão da Avenida Presidente Vargas.

A maior cidade da Região Norte é o berço das águas, abrangendo nascentes de cinco bacias hidrográficas que pertencem, de um lado, ao Uruguai e do outro ao Jacuí.

— Passo Fundo é o único município em todo o Estado que tem essa característica de ter cinco bacias. Isso é algo importante, pois aqui nascem rios e por isso somos o berço das águas — esclarece o diretor do Grupo Ecológico Sentinela dos Pampas (Gesp), Paulo Fernando Cornélio.

Posição econômica privilegiada
Ser ponto de encontro das bacias hidrográficas coloca Carazinho em uma posição estratégica para o desenvolvimento econômico. No leste, a navegabilidade dos rios garante o escoamento de safras e o volume de água possibilita a irrigação de lavouras de arroz.

Já do lado oeste, a agropecuária e a geração de energia elétrica são beneficiadas. Por causa dos rios de planalto, o município conta com três usinas hidrelétricas de pequeno porte: a Central Geradora Hidrelétrica (CGH) Mirim, a Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Mata Cobra e a Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Colorado.

— A produção de energia é própria no município, e isso impacta até mesmo no preço pago pelo consumidor, que acaba sendo reduzido — ressalta Sebastião.

Preservação ambiental
A abundância hídrica também exige cuidado. O geógrafo lembra que a agricultura intensiva e o desmatamento já impactaram a qualidade das águas.

No entanto, o especialista destaca que campanhas de conscientização, fiscalização e reflorestamento são importantes, considerando a relevância ambiental e geográfica de Carazinho.

— A saúde dos nossos rios tem melhorado muito, mas de toda forma ainda é preciso ter conscientização de que precisamos preservar e reconhecer o privilégio ambiental que temos — finaliza.

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