Economia circular e gestão de resíduos pautam debate sobre infraestrutura urbana resiliente na Fenasan 2026
22/10/26
O desafio dos municípios na destinação adequada dos resíduos sólidos foi tema da mesa-redonda “Infraestrutura Urbana Resiliente: Integração da Economia Circular e Gestão Avançada de Resíduos Sólidos Urbanos”, realizada nesta quarta-feira, 21 de outubro, durante o 37º Encontro Técnico AESabesp e a Fenasan 2026, em São Paulo.
O debate destacou a necessidade de modernizar a gestão de resíduos sólidos urbanos diante do crescimento populacional e da expansão das cidades. Entre os temas discutidos estiveram o ecodesign, a atualização dos marcos jurídicos e o uso de tecnologias para o processamento de resíduos, com foco na economia circular, na redução do consumo de matérias-primas e no desenvolvimento de soluções integradas à realidade dos municípios brasileiros.
A conversa foi mediada por Cláudia Alves, engenheira civil e diretora executiva na TCRE Engenharia, que abriu a mesa com um dado importante: 94% dos resíduos sólidos urbanos no Brasil são coletados, porém apenas 40% deles têm destinação adequada. O número indica diferenças regionais que envolvem, por exemplo, a diferença na malha rodoviária de cada local. Para os palestrantes, a engenheira deixou uma provocação: “Em que medida a economia circular se viabiliza no Brasil?”

O engenheiro civil e sanitarista Sebastião Ney Vaz Junior, especialista em resíduos sólidos, foi o primeiro a falar e trouxe mais dados. No país, 81 milhões de toneladas de resíduos são produzidos por ano, dos quais 72,5 milhões de toneladas são recolhidos. O pesquisador informou que 34% dos resíduos coletados são destinados a aterros sanitários e lembrou a importância do trabalho conjunto com cooperativas, que recuperam mais da metade dos resíduos recebidos. Segundo ele, empresas também fazem um trabalho importante, mas é necessário maior conscientização na indústria. “As empresas lançam produtos sem reaproveitamento, com ciclo de obsolescência programada”, afirmou.
Apresentando uma perspectiva jurídica do tema, o arquiteto e doutor em Planejamento e Gestão Territorial Raphael Bischof destacou algumas das principais legislações voltadas para os resíduos sólidos. “As primeiras soluções, do início do século 20, eram voltadas apenas ao sanitarismo”, afirma o pesquisador. Para ele, esse tema amadureceu depois da Constituição de 1988 e de outras legislações nos anos 2000, mas é preciso ultrapassar a fase de “indução”, que apenas joga a responsabilidade para o município, que quer se livrar daquela demanda. “Hoje, nós avançamos muito na coleta, mas é um modelo exaurido. Precisamos de novas alternativas para a redução de aterros sanitários”, frisou.
O último palestrante da mesa foi Lucas Faveri, engenheiro de Processos, que destacou a importância de se conhecer a realidade de cada município para planejar as estratégias de tratamento dos resíduos sólidos. “O município precisa conhecer a sua vocação, a realidade das coletas e as opções viáveis”. O pesquisador também falou sobre alternativas para a redução na origem dos resíduos: “O princípio das ações deve ser a não geração, depois a redução e reutilização e, só em último caso, tratar e aterrar”.
