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Estudo revela causas da inflação de alimentos no Brasil e suas consequências

01/04/26

Estudo revela causas da inflação de alimentos no Brasil e suas consequências

NOVAREJO

Um estudo recente, divulgado pela ACT Promoção da Saúde em parceria com a Agência Bori, revela que a inflação de alimentos no Brasil é um fenômeno estrutural. Essa situação impacta mais os produtos frescos em comparação aos ultraprocessados, o que é preocupante para a saúde da população.

O levantamento, conduzido pelo economista Valter Palmieri Junior, doutor em desenvolvimento econômico pela Unicamp, destaca que a inflação dos alimentos não é apenas resultado de fatores sazonais, como as variações de preços que ocorrem em determinadas épocas do ano. Por exemplo, o aumento do preço do tomate durante a entressafra é um caso que ilustra essa questão.

Além disso, o estudo argumenta que a inflação não pode ser explicada apenas por fatores conjunturais, como a desvalorização do câmbio. A pesquisa classifica a inflação alimentar como estrutural, resultante de pressões permanentes que exigem mudanças na organização econômica do país.

“A inflação é estrutural, pois não decorre apenas de choques temporários, é específica, porque está associada às características históricas do modelo de desenvolvimento brasileiro”, afirma o pesquisador.

Nos últimos 20 anos, o custo da alimentação no Brasil aumentou 302,6%, enquanto a inflação geral foi de 186,6%. Isso significa que o encarecimento dos alimentos superou em 62% a inflação oficial, o que é alarmante. Para comparação, nos Estados Unidos, o aumento dos preços dos alimentos foi apenas 1,5% acima da inflação geral.

O estudo também revela que a perda do poder de compra é mais acentuada em alimentos in natura. Por exemplo, entre 2006 e 2026, o poder de compra para frutas caiu cerca de 31%, enquanto para refrigerantes e embutidos, o aumento foi significativo. Isso indica uma mudança nos padrões de consumo, com as pessoas optando por produtos menos saudáveis devido ao custo.

Outro fator que contribui para a inflação é o modelo agroexportador do Brasil. O país, sendo um dos maiores exportadores de alimentos, prioriza a venda para o exterior, o que afeta o mercado interno. Entre 2000 e 2025, as exportações de alimentos aumentaram drasticamente, enquanto as importações permaneceram estáveis.

Além disso, o aumento dos custos dos insumos agrícolas, como fertilizantes e defensivos, também impacta os preços dos alimentos. O estudo aponta que esses custos aumentaram significativamente nos últimos anos, refletindo a falta de uma estratégia de desenvolvimento sustentável.

A concentração da cadeia produtiva é outro fator que agrava a situação. Apenas algumas empresas dominam o mercado de sementes, pesticidas e máquinas agrícolas, o que limita a concorrência e, consequentemente, a redução de preços.

O fenômeno da “inflação invisível” também é mencionado, onde produtos mantêm o preço, mas têm a qualidade reduzida, o que não é contabilizado nas medições de inflação.

Para reverter essa trajetória inflacionária, o estudo sugere várias medidas, como a desconcentração produtiva, o fortalecimento das economias locais e a reforma agrária, que tornaria a terra mais acessível à população. Essas ações poderiam contribuir para uma maior soberania alimentar e um equilíbrio entre exportação e abastecimento interno.

As notícias publicadas por esse autor são de fontes próprias e externas, e não representam o posicionamento do veículo.

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