Inverno Amazônico impõe desafios aos sistemas de água e esgoto; saiba como reduzir impactos
02/02/26

Divulgação | Águas do Pará
O chamado Inverno Amazônico, marcado por chuvas intensas, frequentes e prolongadas na região Norte do Brasil, entre os meses de dezembro e junho, traz desafios adicionais para a infraestrutura urbana e para a operação de serviços essenciais, como o abastecimento de água e o esgotamento sanitário. Embora esses impactos sejam sentidos em todo o estado do Pará, em maior ou menor grau, em Belém e na Região Metropolitana eles se tornam ainda mais evidentes, exigindo atenção redobrada de concessionárias, poder público e da própria população para reduzir riscos de interrupções, extravasamentos e transtornos à rotina das cidades.
De acordo com especialistas, o impacto das chuvas vai além dos alagamentos visíveis nas ruas. Ele atinge sistemas que funcionam de forma integrada e contínua, muitos deles dependentes de energia elétrica e de redes dimensionadas para volumes específicos.
Energia elétrica: um elo sensível do abastecimento de águaEm caso de falta de energia, o impacto vai além da iluminação. Com as chuvas intensas, as interrupções e oscilações no fornecimento de energia elétrica, comuns durante temporais, afetam o sistema de abastecimento de água, que por trabalhar com sistemas elétricos e bombas na captação, produção e distribuição, depende diretamente da energia elétrica. A engenheira sanitarista Katiucia Nascimento Adam, doutora em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental pela Universidade Federal do Pará (UFPA) explica que o sistema de abastecimento de água não para só no momento da queda de energia.
“Quando a eletricidade retorna, é preciso religar os equipamentos de forma gradual, pressurizar toda a rede e recuperar os níveis dos reservatórios, o que leva tempo”, explica Katiucia. Ela ressalta que, em redes mais antigas, esse processo exige ainda mais cautela, já que oscilações elétricas aumentam o risco de queima de motores, danos a bombas e outros equipamentos, o que pode prolongar o período de interrupção no fornecimento de água.
No caso do Pará como um todo, os sistemas eletromecânicos das redes de abastecimento de água são antigos e estão sendo assumidos agora pela Águas do Pará, que já está operando em 50 municípios paraenses, chegando em 126 cidades até maio deste ano.
Em todas as entradas nessas localidades, a concessionária realiza melhorias dos sistemas eletromecânicos que estão em funcionamento, mas precisam de manutenção, revitalização de bombas paradas, aquisição de equipamentos mais modernos, organização de quadros elétricos e reforma de subestações que controlam a energia elétrica que alimenta os motores e componentes eletrônicos.
Essa ação já está trazendo os primeiros resultados. Em Marabá, no sudeste paraense, a Águas do Pará assumiu a operação em 08 de dezembro do ano passado. Lá, a Estação de Tratamento de Água (ETA) Nova Marabá atende os núcleos Nova Marabá e Cidade Nova, onde sempre houve um problema histórico de falta de água. Com pouco mais de um mês, a concessionária está realizando toda a revitalização do sistema elétrico e de bombas da captação de água bruta e da distribuição, o que vai aumentar a quantidade de água produzida e, consequentemente, vai encerrar os rodízios de abastecimento nos bairros.
