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Município paraense declara calamidade por falta de água, enquanto líderes globais debatem clima na COP30

10/11/25

Município paraense declara calamidade por falta de água, enquanto líderes globais debatem clima na COP30

Ascom Xinguara(PA)

“Precisamos mostrar que as mudanças climáticas não são um tema distante, elas já estão transformando o dia a dia dos municípios da Amazônia”, diz a secretaria de Saúde de Xinguara, cidade que decretou calamidade hídrica há menos de uma semana por falta d’água.

Em Belém, líderes do mundo inteiro discutem, desde quinta-feira, a crise climática. E, a aproximadamente 800 quilômetros dali, a cidade de Xinguara enfrenta os efeitos dessa mesma crise: uma grave falta d’água, devido à seca. A estiagem prolongada que se vive na região provocou o esvaziamento total da barragem do Córrego Caracol, que abastece a cidade de 56 mil habitantes.

O estado de calamidade hídrica foi decretado pela gestão do município no começo da semana que deu início a Cúpula dos Líderes. O decreto permite medidas emergenciais para garantir que a população tenha acesso à água. A gestão do município instalou um comitê de crise da escassez hídrica com a Defesa Civil, Secretaria de Meio Ambiente, Secretaria de Saúde, Secretaria de Assistência Social, Educação e outras pastas estruturais do município.

Para a secretária de Saúde de Xinguara, Janaína Pereira, é um momento de alerta, porque os efeitos da questão hídrica no município já estão sendo sentidos na saúde pública. “Como gestora vejo com bastante preocupação o impacto direto que a escassez dessas águas traz para as nossas unidades e para o controle também de doenças para a qualidade de vida das pessoas”, afirma. “A água é um insumo essencial no cuidado e está presente em tudo, no funcionamento de um postinho, do hospital, na higiene das equipes, na alimentação, no controle de vetores, e quando ela falta o risco de doenças aumenta, o bem-estar diminui e a vulnerabilidade das famílias crescem”, adverte.

Janaína lembra que não dá para pensar na falta de um insumo fundamental e estruturante de uma forma isolada. No caso de Xinguara, em sua visão, o esforço para solucionar a crise precisa ser coletivo. “A crise que enfrentamos hoje precisa ser encarada de forma muito integrada e colaborativa. E não é apenas uma questão ambiental, é também uma questão de saúde, de gestão pública e de cidadania”, enfatiza.

A fala de Janaína em entrevista para o Amazônia Vox vai de encontro ao que o mundo discute na conferência climática da ONU em Belém, que começa segunda-feira. “Com a chegada da COP30, que coloca a Amazônia no centro do debate mundial sobre sustentabilidade e clima, é fundamental que a nossa voz aqui de Xinguara também seja ouvida. Precisamos mostrar que as mudanças climáticas não são um tema distante, elas já estão transformando o dia a dia dos municípios da Amazônia”, alerta.

Conhecida como a “Capital do Boi Gordo”, Xinguara tem um rebanho de 558 mil bovinos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2024. O desmatamento e, posteriormente, as queimadas, são passos comuns para a produção do capim que dá origem à pastagem.

Segundo dados da Global Forest Watch, em 2024, pela primeira vez as queimadas tornaram-se o principal ‘motor’ de perda das florestas tropicais primárias. O Brasil, mesmo apesar de registrar queda nos índices de desmatamento nos últimos anos, seguiu liderando os números em relação aos outros países, totalizando a responsabilidade pela perda de 42% das florestas primárias tropicais em 2024.

A destruição das florestas é a maior fonte de gases com efeito estufa no Brasil. Em 2024, as emissões da mudança de uso da terra e florestas – essencialmente do desmatamento – foram responsáveis por 42% do total do país, segundo estimativa do Observatório do Clima.

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