Niterói sobe para o terceiro lugar em ranking nacional de saneamento básico
22/07/25

Marcelo Theobald/8-8-2019
Niterói alcançou a terceira colocação no ranking nacional de saneamento básico, elaborado pelo Instituto Trata Brasil e divulgado na última terça-feira. A cidade subiu quatro posições em relação ao ano anterior e se consolidou como a única do estado do Rio de Janeiro entre as dez primeiras colocadas no levantamento, que avalia os cem melhores municípios do país com base em indicadores como abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto e perdas na distribuição.
O estudo mostra que Niterói tem 100% da população atendida por rede de abastecimento de água, 95,6% de cobertura na coleta de esgoto e tratamento de 100% do volume coletado. Além disso, o município vem se destacando na redução das perdas de água na distribuição, um problema crônico em grande parte das cidades brasileiras. O índice, que em 2024 era de 25%, caiu para menos de 20%, o que representa uma economia de 361 litros de água por ligação, por dia.
De 2019 a 2023, foram aplicados cerca de R$ 197 milhões em melhorias no setor de saneamento da cidade. Os recursos foram direcionados a obras de ampliação de redes, modernização de equipamentos, combate a perdas e melhorias na eficiência do sistema.
Investimentos
A operação do sistema de saneamento em Niterói é feita pela concessionária Águas de Niterói, do Grupo Águas do Brasil, que mantém o programa Água de Valor, voltado à melhoria contínua da rede de distribuição.
O plano inclui ações como substituição de redes obsoletas, renovação do parque de hidrômetros, fiscalização de fraudes e ligações clandestinas, além do uso de tecnologia para identificar e corrigir vazamentos invisíveis.
Para isso, a empresa conta com o Fluid, um sistema de inteligência artificial desenvolvido por uma startup, que ajuda a detectar perdas com maior precisão.
— O programa Água de Valor acontece em todas as concessionárias do Grupo Águas do Brasil, e assim seguimos aprimorando os nossos processos e desenvolvendo novas soluções para chegarmos a índices de perdas cada vez menores — afirma Bernardo Gonçalves, diretor-executivo da Águas de Niterói.
Niterói também se destaca por integrar um grupo de apenas 11 cidades brasileiras que contam com 100% de serviços universalizados em atendimento de água.
Desempenho
O ranking do Trata Brasil de 2025 se baseia em indicadores de 2023 (ano mais recente com informações oficiais disponíveis) do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa), do Ministério das Cidades.
O estudo é considerado uma referência no setor por permitir a comparação do desempenho das cidades ao longo do tempo e incentivar a melhoria da gestão pública.
Embora ocupe uma das primeiras posições, Niterói ainda tem desafios pela frente. A meta da cidade é atingir 100% de cobertura de esgoto nos próximos anos.
A gestão municipal afirma que manterá os investimentos no setor. O prefeito Rodrigo Neves classificou o resultado como um reconhecimento de políticas de longo prazo.
— Isso é resultado de planejamento, de investimento, de parceria público-privada, de uma regulação bem feita e, sobretudo, do compromisso que a gente tem com a preservação e recuperação do meio ambiente, com a qualidade de vida e com a saúde do cidadão. Vamos em frente rumo aos 100% do esgoto tratado. Hoje já temos 96% — disse o prefeito.
Brasil
O novo ranking do Instituto Trata Brasil evidenciou desigualdades no acesso ao saneamento. Nove das 20 cidades com pior desempenho estão na região amazônica, como Santarém (PA), Belém (PA) e Macapá (AP). Já o topo da lista é dominado por cidades do Sudeste e do Sul, com destaque para Campinas (SP), Limeira (SP) e Niterói.
As médias nacionais de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto caíram ligeiramente. Segundo o instituto, a queda reflete a correção de distorções após a atualização populacional do Censo, oferecendo dados mais realistas.
Ainda assim, 17% da população brasileira não têm acesso à água potável, e quase 45% não contam com coleta de esgoto. Das cem cidades analisadas, 23 bateram a meta de acesso à água e 40 alcançaram a meta de 90% de coleta de esgoto.
Os baixos investimentos também são um obstáculo. As 20 piores cidades aplicaram, em média, apenas R$ 78 por habitante, muito abaixo dos R$ 223 previstos pelo Plano Nacional de Saneamento para universalização. Apenas duas cidades atingiram 100% de tratamento de esgoto: Curitiba (PR) e Santo André (SP).
