Obras bilionárias prometem mais segurança hídrica para moradores do litoral de SP
07/01/26

Divulgação/Sabesp
A Baixada Santista deve passar por uma transformação estrutural no abastecimento de água a partir dos próximos anos.
A região receberá R$ 7,5 bilhões em investimentos até 2029 para ampliar a oferta hídrica e reduzir a vulnerabilidade do sistema, especialmente durante o verão e em períodos de eventos climáticos extremos.
Segundo o Governo de São Paulo, o montante representa quase três vezes o volume anual investido entre 2017 e 2024, quando a média era de cerca de R$ 400 milhões por ano, antes da desestatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), realizada pelo Governo de São Paulo em 2024.
O plano foi definido a partir de um diagnóstico técnico elaborado pela companhia durante a transição do novo contrato e é acompanhado pela Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp).
Plano de melhorias
O levantamento apontou gargalos históricos na região, como capacidade limitada de produção de água para atender picos de consumo, baixa integração entre os sistemas de abastecimento, reservatórios insuficientes e alta exposição a chuvas intensas e ondas de calor.
Em períodos de forte precipitação, o aumento da turbidez dos mananciais compromete o tratamento da água. Já na alta temporada turística, quando a população local pode triplicar, a demanda cresce rapidamente e pressiona ainda mais a infraestrutura existente.
Esses fatores, segundo o governo estadual, evidenciam a necessidade de soluções estruturais de longo prazo, e não apenas ajustes operacionais pontuais.
A desestatização da Sabesp pretende antecipar a universalização do saneamento básico de 2033 para 2029, com previsão de R$ 260 bilhões em investimentos até 2060. Desse total, R$ 70 bilhões devem ser aplicados até o fim da década para garantir água potável, coleta e tratamento de esgoto em todo o estado.
A Baixada Santista também se prepara para receber um túnel submerso de 870 metros de comprimento e ficará a 21 metros de profundidade. A estrutura será formada por blocos pré-moldados, que correspondem aos módulos de concreto, colocados em uma área escavada no canal do estuário.
Obras em andamento
Na Baixada Santista, algumas das principais obras já estão em andamento. Uma delas é a adutora Santos–Guarujá, considerada estratégica para a integração dos sistemas de abastecimento.
Com investimento de R$ 134,7 milhões, a obra prevê a instalação de uma tubulação sob o canal do Porto de Santos, capaz de levar água produzida na Estação de Tratamento de Água (ETA) Cubatão para o Guarujá. A travessia terá 5,56 quilômetros de extensão, incluindo 700 metros subaquáticos, e deve ser concluída no segundo semestre de 2026.
A estrutura permitirá o envio de até 500 litros de água por segundo à cidade, volume suficiente para encher uma piscina olímpica em cerca de uma hora, beneficiando mais de 450 mil moradores.
Outro projeto relevante é o Pulmão de Reservação do Sistema Mambu Branco, com capacidade total de 40 milhões de litros. A estrutura foi projetada para garantir maior estabilidade no abastecimento durante períodos de chuva intensa, quando a produção de água costuma ser impactada.
Também está prevista a implantação da nova Estação de Tratamento de Água Melvi, com capacidade de produção de 1.270 litros por segundo. A unidade ampliará de forma permanente a oferta de água tratada para os municípios da Baixada Santista.
Com os investimentos, o governo estadual espera reduzir falhas no abastecimento, aumentar a segurança hídrica e preparar a região para o crescimento populacional e os efeitos das mudanças climáticas nos próximos anos.
