Para garantir segurança hídrica, Campinas vai captar água do Rio Jaguari a partir de 2029
12/08/26
Campinas iniciará em 2029 a captação de água no Rio Jaguari, para reduzir a dependência do Rio Atibaia e garantir a segurança hídrica da cidade pelos próximos 50 anos. A data foi divulgada ontem pela secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, ao garantir a conclusão das obras das represas de Pedreira, que viabilizará o uso da nova fonte pela Sociedade de Abastecimento e Saneamento S.A. (Sanasa), e de Duas Pontes, em Amparo, até o final deste ano, cumprindo o cronograma previsto. “Esse é um projeto prioritário para o Estado que estamos tirando do papel”, afirmou.
A nova adutora da empresa campineira será uma das três já definidas para serem instaladas nos rios Jaguari ou Camanducaia. As outras são para abastecer Nova Odessa e Louveira. De acordo com a secretária, o reservatório de Pedreira está com 76% das obras concluídas, e o de Duas Pontes, 97%. Juntos, eles terão capacidade de armazenamento de 85 bilhões de litros de água, o equivalente a 34 mil piscinas olímpicas, beneficiando 5,5 milhões de habitantes em 26 cidades paulistas.
Desse total, os empreendimentos beneficiarão 17 cidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC), incluindo Americana, Hortolândia, Indaiatuba, Jaguariúna e Sumaré. Os outros três municípios atendidas serão da Região Metropolitana de Jundiaí. “As três cidades poderão captar água, mas o benefício é para a toda a bacia”, afirmou Natália Resende. No caso de Campinas, por exemplo, o Rio Jaguari permitirá a redução do uso do Atibaia, onde Sanasa capta 4 mil litros de água/segundo para abastecer em torno de 95% do município. A diferença é retirada do Rio Capivari.

BACIA
Com a diminuição nesse manancial, passará a ter mais água disponível para os municípios a jusante, como Sumaré, Hortolândia e Americana. A Sanasa já obteve a pré-outorga para passar a utilizar o Rio Jaguari. Ela já divulgou um projeto de R$ 750 milhões para captar 2 mil l/s nesse manancial com a instalação do Sistema Produtor Campinas-Jaguari (SPCJ). O projeto inclui a construção de uma nova Estação de Tratamento de Água, a ETA 5, no bairro Gargantilha, eu uma área adquirida pela empresa em 2023.
Ele inclui ainda a instalação de unidade de captação de água bruta no Jaguari; uma estação elevatória para bombeá-la até a adutora de 7 quilômetros de extensão por 1 metro de diâmetro, que estará em ponto mais alto, e levará o produto até a nova ETA. O empreendimento inclui ainda uma subestação de energia elétrica para alimentar a estação e a construção de subadutora de 16 km de extensão para ligá-la até o anel de macrossistema de abastecimento do município, na altura do campus 1 da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas.
No caso de Nova Odessa, cidade de 62 mil habitantes, a água é hoje captada em seis represas locais. A Secretaria Estadual de Meio Ambiente lançará uma concorrência pública para escolha de uma empresa para gerenciar a captação de água no Jaguari e Camanducaia a partir da entrega das represas. Ela deverá também fazer um investimento de R$ 1,9 bilhão para a instalação de uma estação de tratamento para remover o fósforo e melhorar a qualidade da água. “Todo esse projeto está sendo construído em conjunto com os municípios”, disse Natália Resende.
As obras das represas foram retomadas no final de 2024, após a realização de licitação para escolha de nova empresa para concluí-las. A construção foi paralisada no em julho de 2023, após o antigo Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) rescindir os contratos com as empresas contratadas em 2018 para execução dos projetos – KPE Performance em Engenharia e Cetenco Engenharia – por causa de atrasos constantes na entrega sem justifica e “problemas recorrentes que afetaram diretamente a conclusão adequada dos empreendimentos.” Inicialmente, as obras deveriam ter sido entregues em 2020. Na época da suspensão do contrato, a barragem de Pedreira estava com 42,01% das obras concluídas, enquanto que a Duas Ponte, em Amparo, 44,77%.
