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Pesquisa da USP alerta: Poluição de Esgoto nos Rios Ameaça Inovação

04/08/25

Pesquisa da USP alerta: Poluição de Esgoto nos Rios Ameaça Inovação

Portal Universidade

Poluição dos rios por esgoto sem tratamento adequado ainda é um desafio crítico em São Paulo — fato que exige atenção imediata de gestores, educadores e agentes de inovação.

Um levantamento robusto conduzido pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP expôs o panorama atual: apenas 64,8% dos resíduos sanitários gerados nos 645 municípios paulistas passam por algum tipo de tratamento, e muitos deles utilizam métodos pouco eficazes para a retirada de poluentes.

Segundo o trabalho divulgado em artigo científico exclusivo no Journal of Environmental Management, mais de 200 toneladas de nitrogênio e 30 toneladas de fósforo são despejadas todos os dias nos cursos d’água do Estado por causa do esgoto — seja sem tratamento, seja tratado de modo ineficiente.

Os dados detalhados advêm do Atlas Esgotos (registros de 2015 e 2016), principal fonte brasileira sobre a situação do saneamento básico.

Eficiência dos Tratamentos e Recomendações
O estudo revela que as estações de tratamento usadas tipicamente adotam processos secundários, que focam em remover matéria orgânica, mas atingem apenas 56,5% de remoção de nitrogênio e 37,3% de fósforo.

Para os especialistas da USP, é fundamental repensar os métodos atuais, priorizando soluções inovadoras tanto centralizadas quanto descentralizadas e adaptadas ao perfil de cada município.

Municípios menores, por exemplo, podem se beneficiar de lagoas de estabilização biológica; centros urbanos, de sistemas com reatores aeróbios mais avançados.

Inovações universitárias e dados alarmantes ampliam debate sobre saneamento
Projetos pioneiros surgem em universidades brasileiras, como o implantado pela UFRJ no campus de Macaé, que utiliza wetlands artificiais – zonas úmidas construídas – como alternativa sustentável para o tratamento de esgoto.

Segundo o professor Rafael Ferreira, o sistema tem mostrado eficiência na remoção de poluentes, pode ser aplicado em pequenas comunidades e serve de espaço experimental para capacitar estudantes em inovações do saneamento ambiental.

Enquanto isso, dados recentes do Instituto Trata Brasil (ONG) evidenciam a gravidade do desafio nacional: só em janeiro de 2025, o país despejou no meio ambiente o equivalente a 162 mil piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento.

Segundo o instituto, esse recorde compromete a qualidade de vida, agrava problemas de saúde pública e reflete a necessidade urgente de modernização do saneamento básico brasileiro.

Citações Diretas
Repensar o atual modelo de saneamento é fundamental para reduzir as cargas poluidoras e garantir a qualidade da água nos cursos d’água do Estado. Mais do que apenas ampliar a cobertura de tratamento, é necessário investir em tecnologias mais eficientes e adaptadas à realidade dos municípios, otimizando o uso das infraestruturas já existentes, reforçam os autores do estudo.

Fontes do Estudo, Pesquisas e Dados
Todos os aspectos técnicos, dados computados e recomendações desta matéria foram consolidados pelo estudo publicado por Karen Tavares Zambrano, João Miguel Merces Bega e Davi Gasparini Fernandes Cunha, da Escola de Engenharia de São Carlos da USP, publicado em:

Wastewater is still a major problem: a comprehensive evaluation of N and P loads into water bodies of the most populous state in Brazil — Journal of Environmental Management.

Fonte: https://jornal.usp.br/ciencias/

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