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Ranking do saneamento básico: veja as cidades com os melhores e piores resultados no tratamento de água e esgoto

15/07/25

Ranking do saneamento básico: veja as cidades com os melhores e piores resultados no tratamento de água e esgoto

Guito Moreto

Nove das 20 cidades com os piores índices de saneamento básico do país ficam na Amazônia. Nesta terça (14), às vésperas da COP-30, o Instituto Trata Brasil, em parceria com GO Associados, divulgou os resultados do Ranking do Saneamento 2025, que analisa os indicadores de 2023 (ano mais recente com informações oficiais disponíveis) do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa), do Ministério das Cidades. Campinas (SP), Limeira (SP) e Niterói (RJ) são os mais bem colocados, enquanto o Pará, que sediará a principal conferência climática do mundo em novembro, tem três municípios entre os piores números.

Na média nacional, as estatísticas de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto tiveram piora nos resultados, na comparação com a edição do ano passado. Segundo o Trata Brasil, a principal explicação é o ajuste do cálculo populacional a partir da divulgação do novo Censo. Antes, estimava-se um número maior de pessoas por residência, o que agora foi ajustado, explicou o instituto, que trata a redução dos índices como “um ajuste à realidade do país, não indicando uma piora objetiva na cobertura do saneamento no país, mas sim uma medição mais refinada e precisa”.

O levantamento reúne as informações dos 100 municípios mais populosos do país. Na edição do ranking de 2024, que tratou os números de 2022 do Sinisa, as médias dessas cidades em atendimento de água potável, coleta de esgoto e de tratamento de esgoto eram, respectivamente, 94,92%, 77,81% e 65,55%. Os três índices tiveram ligeira redução na atual edição, para 93,91%,77,19% e 65,11%.

— A atualização dos dados demográficos do censo traz uma diferença principalmente nos grandes centros, onde teoricamente o número de pessoas por domicílio estava superestimado. Então agora a gente passa a ter dados mais realistas — explica Luana Pretto, presidente executiva do Instituto Trata Brasil.

O estudo evidencia desigualdades regionais e o Norte do país concentra os piores resultados. Além das três cidades paraenses - Santarém (o pior colocado), Belém e Ananindeua – Manaus (AM), Porto Velho (RO), Rio Branco (AC), Macapá (AP), Várzea Grande (MT) e São Luis (MA) são os outros municípios da Amazônia Legal entre os 20 índices mais baixos de saneamento.

Nesse recorte negativo, há, ainda, sete cidades do Nordeste e quatro do Rio. Por outro lado, São Paulo, Paraná, Minas e Goiânia dominam a lista das 20 melhores cidades. Niterói (RJ) é a representante fluminense.

Até hoje, a falta de acesso à água potável é realidade para 16,9% dos brasileiros. Além disso, 44,8% não possuem coleta de esgoto. O cenário, destaca o estudo, realizado desde 2009, se reflete em “problemas na saúde, produtividade no trabalho, valorização imobiliária, turismo e na qualidade de vida da população, impactando profundamente o desenvolvimento socioeconômico do país".

Além dos dados do Sinisa, o ranking tem uma metodologia de ponderação de dados que passa pelas análises de “Nível de Atendimento”, “Melhoria do Atendimento” e “Nível de Eficiência” de cada cidade. Por isso, a média de investimento no setor é um fator relevante para o cálculo da nota final de cada cidade.

Os 20 piores municípios tiveram um investimento anual médio de R$ 78,40 por habitante, cerca de 65% abaixo do patamar médio necessário para a universalização, de R$ 223,82, valor estabelecido no Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab). O patamar mais baixo foi de Rio Branco (AC): R$ 8,09 por habitante.

Além do padrão de investimento, existem metas nos índices de coleta e tratamento definidos no Novo Marco Legal do Saneamento. Para que se tenha resultado considerado "satisfatório", o acesso à água precisa ser de 99%, a coleta de esgoto 90%, e o tratamento de esgoto 80%.

Das 100 cidades analisadas, 23 bateram a meta do acesso à água e 40 alcançaram a meta de 90% da coleta de esgoto (mas apenas dois com 100%). Somente duas cidades apresentaram universalização (100%) do tratamento de esgoto, e 21 tiveram ao menos 80%, sendo quatro capitais: Curitiba (PR), Brasília (DF), Boa Vista (RR) e Salvador (BA).

Para Luana Pretto, a universalização no país só será alcançada quando o saneamento básico passar a ser uma agenda prioritária na gestão dos municípios

— A gente precisa passar a olhar para o saneamento básico como um ativo político e não mais como aquele velho ditado de que obra enterrada não dá voto. Os municípios eles precisam de um planejamento de longo prazo, saber quais obras precisam ser feitas, de onde vão vir recursos financeiros e acompanhar por meio das agências reguladoras – explica. A meta está dada e os investimentos precisam acontecer.

O estudo também destacou as cinco cidades que mais subiram e as que mais desceram no ranking, em relação ao ano passado. O Rio foi a terceira que mais perdeu posições, de 43ª para 59ª da lista. Segundo Luana Pretto, as principais explicações foram as quedas, de 93% para 89% no acesso à água, e de 95,8% para 87,6% na coleta de esgoto.

— Então, um indicador que teoricamente estava atingindo as metas, acima de 90%, passou a não estar mais dentro das metas. O indicador de tratamento de esgoto e de investimentos melhoraram, mas ainda aquém do necessário — explica a presidente do Trata Brasil, que lembra que o investimento médio no Rio é de R$89 por habitante.

Desde o leilão da Cedae, em 2021, o tratamento de água e esgoto na cidade do Rio passou a ser privatizado, através de consórcios que atendem a determinadas regiões. Ontem, na primeira versão dos dados enviados à imprensa, o Rio constava na 77ª posição, em uma situação ainda pior. Mas, o Trata Brasil retificou os números e explicou que o Sinisa passou a aceitar os números de parte de tratamento de esgoto na cidade antes desconsiderados.

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