Redução de risco traz boas expectativas para Sabesp e Copasa em momentos diferentes
14/01/26

Sabesp
A Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) e a Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais) passaram, recentemente, por importantes marcos regulatórios. Enquanto a Sabesp (SBSP3) incorpora o reajuste tarifário, a Copasa (CSMG3) tem avançado com o processo de privatização.
A nova fase que cada companhia tem passado, dando sinais cada vez mais claros dos seus processos e potenciais, tem sido bem recebida pelo mercado. Em nova avaliação do setor de saneamento básico, o Itaú BBA manteve a recomendação de outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra) para ambas as companhias e atualizou os preços-alvo para cada uma.
O preço-alvo da Sabesp foi elevado de R$ 147,10 por ação para R$ 154,50. Já a Copasa, subiu de R$ 43,20 para R$ 55,90 por ação.
Ainda que estejam partindo de um ponto semelhante, cada empresa tem seguido por uma direção distinta, oferecendo retornos em momentos diferentes. Para os analistas, desde a demonstração de resultados pós-privatização e o reajuste tarifário, a Sabesp tem oferecido mais potencial para o longo prazo.
Em paralelo, o preço-alvo da Copasa teve um aumento significativo, refletindo todo o potencial de valorização a partir da privatização – que ainda pode sair este ano – e os bons resultados nos últimos meses, chegando a ter um aumento de 68% das ações. De acordo com o banco, a companhia mineira tem sido mais atraente a curto prazo.
De maneira ampla, os analistas afirmam que ambas as empresas devem se beneficiar a longo prazo de um cenário macroeconômico favorável, dada a natureza de longa duração de seus fluxos.
Ajuste tarifário
O primeiro reajuste tarifário aplicado pela Sabesp sob o novo arcabouço regulatório foi um grande marco para a ação da companhia no ano passado. A incorporação, já muito aguardada pelo mercado, foi um dos principais movimentos da empresa na redução de risco da tese de investimento.
De acordo com o BBA, a movimentação foi essencial para esclarecer sobre o processo e a abordagem da agência reguladora, a Arsesp, que serão utilizados como base para os próximos reajustes, reduzindo os riscos e receios do mercado em relação à essa nova fase da Sabesp.
Em especial, em relação ao detalhamento sobre o uso de ajustes compensatórios para conciliar o arcabouço de natureza prospectiva (ouforward-looking, quando a tarifa é calculada com estimativas futuras) com o novo regime retrospectivo (ou backward-looking, quando o cálculo considera o histórico, passado)., garantindo ganhos e reduzindo perdas.
A reação do mercado corroborou a interpretação positiva dos analistas. Logo após a divulgação da nota técnica que detalhava esse processo, as ações da Sabesp apresentaram forte desempenho, com altas de 3%, acima do Ibovespa (de +1,6%).
O dado consolidado pela Arsesp, aponta um aumento tarifário de 6,8% a partir do dia 1º de janeiro deste ano. A Sabesp, entretanto, divulgou que o impacto tarifário efetivo deve atingir, aproximadamente, 10,6% em comparação com a tarifa reportada no ciclo anterior.
Crise hídrica
Apesar dos resultados positivos e as expectativas de longo prazo se mostrarem sólidas, o BBA destacou a atual crise hídrica como um ponto de observação. No momento em que o relatório foi elaborado, o Sistema Integrado Metropolitano (SIM), responsável pelo abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo, estava a 20,2% da sua capacidade.
Mesmo com essa preocupação, os analistas acreditam que a situação não represente um risco para a tese. Em primeiro lugar, o banco destaca que as condições dos reservatórios, ainda que graves, não estejam próximas dos níveis do período de escassez hídrica registrado em 2014/15. Em outro ponto, reconhecem que a companhia tem um sistema mais resiliente hoje, com a adoção de medidas preventivas que têm reduzido os impactos.
Privatização no radar
Para os analistas, a privatização da Copasa pode ser o principal catalisador de curto prazo para a tese de investimento da companhia. Em 2025, houve um avanço significativo do processo, que agora está em fase final de execução. A expectativa do BBA, é de que o processo seja concluído ainda em abril deste ano.
Desde dezembro, quando a Assembleia Legislativa de Minas Gerais aprovou o projeto de lei da privatização com mais detalhes sobre a viabilidade da mudança, o mercado tem respondido bem à nova fase da companhia. O detalhamento sobre o processo, segundo o BBA, foi essencial para reduzir incertezas e acalmar os investidores.
Mesmo com as expectativas altas, os analistas afirmam que o potencial com a privatização ainda não está totalmente precificado. Para o banco, que já incorporava uma possível valorização de 60%, a revisão pode ser ainda maior. Com a expansão do contrato para outros municípios, também deve aumentar as oportunidades para a companhia.
Em paralelo aos novos projetos, a Copasa está entrando em um novo ciclo tarifário (de 2026 para 2029), após um processo de revisão regulatória encerrado no último ano. De acordo com o banco, o reajuste tarifário formaliza a transição de um arcabouço regulatório que historicamente oferecia incentivos limitados à realização de investimentos e a ganhos de eficiência para um modelo mais semelhante ao atualmente aplicado à Sabesp.
A partir de agora, a companhia pode absorver os benefícios fiscais dos Juros sobre Capital Próprio (JCP), ao mesmo tempo em que eleva a remuneração do capital, uma mudança já esperada pelo mercado.
