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RMC recebe R$ 29,5 mi para ações de segurança hídrica

04/09/25

RMC recebe R$ 29,5 mi para ações de segurança hídrica

Rodrigo Zanotto

A Região Metropolitana de Campinas (RMC) foi contemplada com R$ 29,5 milhões em investimentos para obras de saneamento e segurança hídrica, aprovados pelos Comitês de Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), que reúnem representantes do poder público, da sociedade civil e de usuários da água. Campinas lidera a lista, com R$ 12,1 milhões destinados à substituição de redes e ligações de água no bairro Vila Industrial, sob responsabilidade da Sanasa. Também serão beneficiadas Santa Bárbara d’Oeste, com R$ 6,1 milhões, Valinhos, com R$ 5,4 milhões, Vinhedo, com R$ 3,6 milhões, além de Jaguariúna e Pedreira, ambas com pouco mais de R$ 1,1 milhão, em intervenções previstas para ampliar a eficiência no abastecimento e reduzir perdas.

No total, os Comitês PCJ aprovaram mais de R$ 81 milhões para 23 empreendimentos, em 16 municípios. Trata-se do maior montante já liberado de uma só vez em 32 anos de atuação. Os recursos são do Fehidro (Fundo Estadual de Recursos Hídricos), abastecido pela cobrança pelo uso da água em rios de domínio estadual e pela compensação financeira da geração de energia elétrica.

A liberação ocorre em meio ao regime de prevenção contra a escassez hídrica adotado pelo Governo do Estado de São Paulo no fim de agosto. A Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos) determinou medidas de contingência para preservar os níveis dos reservatórios, monitoradas pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística e pela Defesa Civil. Segundo a agência, a sequência de anos com chuvas abaixo da média pressiona o Sistema Integrado Metropolitano, em situação semelhante à de 2021, mas menos grave que a crise hídrica de 2014.

Os municípios contemplados da Região Metropolitana de Campinas destacaram a importância das obras aprovadas pelos Comitês PCJ. Em Valinhos, o vice-prefeito e diretor-presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAEV), Luiz Mayr Neto, afirmou que a implantação da segunda fase da Estação de Tratamento de Lodo da ETA II representa um marco para a cidade. “Esse é um desejo antigo e uma conquista que precisa ser celebrada. A centrífuga que irá substituir todo o processo atual de tratamento de água vai gerar economia, ampliar a capacidade de tratamento e, consequentemente, melhorar a qualidade entregue à população”, disse.

Em Vinhedo, o projeto de implantação de redes coletoras de esgoto no bairro Morada da Lua foi apontado como estratégico pela superintendente da Sanebavi, Andréa Campos. “Essa obra acompanha o crescimento da cidade e leva infraestrutura essencial a uma região que precisava desse olhar atento do poder público. É um investimento que promove sustentabilidade, preservação ambiental e, acima de tudo, mais saúde e bem-estar aos moradores. Saneamento é qualidade de vida”, afirmou.

Já em Jaguariúna, o presidente do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAEJA), Wanderley Filho, ressaltou que os empreendimentos indicados agora entram em uma nova fase. “Eles seguem para análise técnica do Fehidro, que, após aprovação, viabilizará a assinatura do contrato. São ações estruturantes que fortalecem o sistema de saneamento e ampliam a capacidade de atendimento da cidade”, explicou.

Em Pedreira, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) executará a readequação de estações elevatórias de esgoto, investimento de R$ 1,14 milhão. A modernização de bombas, painéis e automação reduz paradas, vazamentos e riscos ambientais, além de otimizar o consumo de energia do sistema.

Além da RMC, os investimentos contemplam cidades como Amparo, Capivari, Cordeirópolis, Jundiaí, Piracicaba, Salto e Louveira, entre outras. Os projetos abrangem desde planos municipais de drenagem, saneamento rural e combate a perdas de água até obras de tratamento de esgoto e modernização de sistemas. Nos casos de financiamentos reembolsáveis, os tomadores terão até 18 meses de carência e prazos de amortização de até 42 meses, com juros reduzidos ou zerados para ações de controle de perdas hídricas, conforme as regras do Fehidro.

RANKING

Campinas tem protagonismo reforçado pelos investimentos aprovados, mas também se destaca pela performance da Sanasa em âmbito nacional. A companhia lidera o ranking de saneamento de 2025, divulgado em julho pelo Instituto Trata Brasil, alcançando nota máxima em todos os quesitos avaliados: atendimento total de água, coleta e tratamento de esgoto, índice de perdas na distribuição e investimento médio per capita.

De acordo com a empresa, o índice de perdas de água é de apenas 18%, um dos mais baixos do país e melhor que o registrado em diversos países da Europa. Desde 2021, a Sanasa investiu quase R$ 1,1 bilhão na execução do Plano Campinas 2030, que entregou 20 novos reservatórios de água potável e ampliou a capacidade de armazenamento para 196 milhões de litros, suficientes para garantir 20 horas de abastecimento em caso de incidentes no Rio Atibaia.

No mesmo período, foram substituídos 473 quilômetros de redes antigas por tubulações de polietileno de alta densidade, material mais resistente, o que permitiu reduzir significativamente as perdas. A troca resultou na preservação de 3 bilhões de litros de água entre 2021 e 2024, volume capaz de abastecer uma cidade de 50 mil habitantes. A meta de substituição de redes foi mais ambiciosa do que a registrada em 27 anos de programa anterior, mostrando o esforço de Campinas em antecipar os compromissos do Marco Legal do Saneamento, que prevê universalização apenas em 2033.

NOVA ADUTORA

A Sanasa começa hoje a obra para implantar uma nova adutora que reforçará o abastecimento de Campinas. A tubulação terá quase 2,1 quilômetros de extensão e 50 centímetros de diâmetro e sairá do novo reservatório da Ponte Preta, na Rua da Abolição, e seguirá até as Estações de Tratamento 1 e 2, no bairro Swift. O investimento é de R$ 9,7 milhões, com recursos próprios, e integra o programa de modernização das redes para reduzir perdas, estabilizar pressões e ampliar a segurança hídrica.

O objetivo é aumentar a capacidade de manobra do sistema, evitando desabastecimentos durante intervenções programadas ou emergenciais. “Investir na flexibilização do sistema é garantir que regiões afetadas por manutenções programadas ou emergenciais não fiquem desabastecidas em caso de obras de grande porte. Com essa obra, estamos ampliando o sistema de água. Este é um dos compromissos que temos com o bem-estar da população”, afirma o presidente da Sanasa, Manuelito Magalhães Júnior.

A execução utilizará método não destrutivo, com perfurações subterrâneas a partir de acessos pontuais, o que reduz interferências na superfície e no comércio do entorno. Durante os trabalhos, previstos até o início de 2026, haverá bloqueio parcial da Rua da Abolição, no sentido bairro para o Centro, entre a Avenida Engenheiro Augusto Figueiredo e a Rua Dr. Álvaro Ribeiro, nas imediações do Cemitério da Saudade.

A Emdec operará Pare e Siga nos trechos de pista simples, das 8h às 16h30, e poderá adotar novas ações conforme o avanço do cronograma. A população está sendo informada previamente sobre desvios e etapas do serviço.

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