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Santarém é a cidade com pior saneamento do Brasil, com apenas 3,28% de coleta de esgoto

20/03/26

Santarém é a cidade com pior saneamento do Brasil, com apenas 3,28% de coleta de esgoto

Tapajós de Fato

Santarém, no Pará, aparece entre os piores municípios do Brasil no Ranking do Saneamento 2026, divulgado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados. O dado mais crítico é o acesso à coleta de esgoto. De acordo com o levantamento, a cidade conhecida como “A Pérola do Tapajós” possui apenas 3,28% da população com acesso ao serviço, figurando entre os índices mais baixos entre os 100 municípios mais populosos do país.

O levantamento, tem como base os dados de 2024 do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA) do Ministério das Cidades, e revela um cenário de forte desigualdade e baixo investimento, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.

A cidade de Santarém, que é a terceira cidade mais populosa do Pará, integra o grupo dos 20 piores municípios do ranking, ao lado de capitais como Porto Velho (RO), Rio Branco (AC), Várzea Grande (MT) e o, também paraense, município de Parauapebas.

Santarém investe menos de R$ 40 por pessoa em saneamento
O estudo aponta que a falta de investimento é um dos principais entraves para a universalização do saneamento no país. Entre os 100 maiores municípios, 51 investem menos de R$ 100 por habitante, valor muito abaixo dos R$ 225 por pessoa ao ano recomendados pelo Plano Nacional de Saneamento Básico (PLANSAB). O PLANSAB trata-se de um planejamento federal de metas para universalizar o acesso à água, esgoto, resíduos sólidos e drenagem no Brasil até 2033.

Nos 20 municípios com pior desempenho, grupo em que Santarém está inclusa, o investimento médio entre 2020 e 2024 foi de R$ 77,58 por habitante, cerca de 66% abaixo do necessário. Em comparação, os 20 melhores investiram, em média, R$ 176,17 por pessoa.

Em números absolutos, Santarém investe somente R$35,24 por pessoa em serviços de saneamento básico.

O cenário aponta uma relação direta entre investimento e resultado. Enquanto os municípios mais bem colocados avançam em cobertura e eficiência, os piores permanecem com serviços precários e sem perspectiva de universalização até 2033.

Além de Santarém, outros três municípios estão entre os 20 piores, incluindo a capital Belém:

100ª Santarém
96ª Parauapebas
94ª Belém
91ª Ananindeua

Na outra ponta do ranking, cidades como Franca (1ª), São José do Rio Preto (2ª), Campinas (3ª) e Santos (4ª) lideram o ranking com serviços considerados universalizados.

Esses municípios alcançaram níveis próximos de 100% no abastecimento de água e na coleta e tratamento de esgoto, além de manterem baixos índices de perdas na distribuição.

Desigualdade no acesso ao saneamento
Os dados escancaram as diferenças no país. Nos 20 melhores municípios, a coleta de esgoto chega a 98,08% da população. Já nos 20 piores, o índice médio é de apenas 28,06%, o que representa uma diferença de mais de 70 pontos percentuais.

No tratamento de esgoto, a distância também é grande: 77,97% nos melhores contra 28,36% nos piores.

Além disso, o ranking mostra que Santarém está entre os municípios com os piores indicadores de coleta do país, reforçando um quadro estrutural de déficit histórico na região amazônica.

Em 2023, Santarém já figurava entre os piores municípios no ranking, e a falta de coleta de esgoto já era apontada como um transtorno na vida da população, como noticiamos nessa reportagem: Esgoto do centro comercial de Santarém, que ocupa a 3ª posição no ranking das cidades com pior saneamento básico do país desde 2021, é um tormento na vida dos trabalhadores e consumidores

Cobertura em Santarém por indicadores do estudo
De acordo com o estudo, em relação à cobertura no atendimento de água para a população, Santarém está na 98ª posição, ficando à frente apenas de Ananindeua (PA) e Porto Velho (RO). A cobertura não chega à metade da população, ficando em 44,93%.

No atendimento de coleta de esgoto, Santarém é a pior cidade brasileira, com somente 3, 28% da população com acesso ao serviço. Já no atendimento ao tratamento de esgoto, que mede a proporção de esgoto tratado em relação entre a água consumida, o município está na 97% posição, com 9,26% de cobertura.

Nos dados de investimento financeiro em saneamento, Santarém registra o valor de R$35,24 por habitante. Em comparação, o município de Praia Grande (SP) possui investimento de R$572,82. De acordo com o PLANSAB, o valor estimado para alcançar a universalização dos serviços é R$225.

Impactos na saúde e no desenvolvimento
De acordo com o Instituto Trata Brasil, a falta de saneamento básico impacta diretamente a saúde, a educação e a economia. Hoje, mais de 30 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à água potável e cerca de 90 milhões não contam com coleta de esgoto.

A presidente executiva da entidade, Luana Siewert Pretto, destaca que o tratamento de esgoto segue como o maior desafio do país e que, sem ampliação dos investimentos, será difícil cumprir a meta de universalização até 2033.

Luana aponta a necessidade de o saneamento estar entre as pautas centrais na agenda de candidatos neste ano eleitoral. “Em um ano eleitoral, é fundamental que o saneamento ganhe centralidade no debate público e integre de forma prioritária as agendas dos futuros governantes em todo o país”.

O ranking aponta que, sem recursos compatíveis e políticas públicas efetivas, cidades como Santarém tendem a permanecer entre as mais vulneráveis do país em acesso ao saneamento básico.

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