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Super El Niño 2026: como o fenômeno mais forte em 150 anos vai atingir cada região do Brasil

28/07/26

Super El Niño 2026: como o fenômeno mais forte em 150 anos vai atingir cada região do Brasil

NASA Overview/Meteored/ND Mais

O risco de um Super El Niño em 2026, que pode ser o mais forte em 150 anos, colocou o Brasil em alerta. A combinação do fenômeno com o aquecimento global ameaça disparar tempestades, secas extremas e erosão costeira em várias regiões do país.

Estudos de cientistas ligados ao INPO (Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas) indicam que o Brasil precisa se preparar antes mesmo da confirmação do fenômeno. Isso porque modelos climáticos apontam 90% de probabilidade de o fenômeno superar todos os recordes conhecidos.

O que é o super El Niño de 2026?
O Super El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação da atmosfera e muda o padrão de chuvas e temperaturas em diversas partes do planeta.

Agora, modelos climáticos analisados por pesquisadores da Berkeley Earth indicam 90% de probabilidade de que o evento previsto para 2026 supere todos os registros conhecidos.

As simulações, publicadas pela revista científica New Scientist, apontam que a temperatura da superfície do mar no Pacífico tropical poderá ficar 3,6°C acima da média, ultrapassando o recorde de 2,75°C observado durante o forte El Niño de 2015-2016.

Como o super El Niño pode afetar cada região do Brasil
Os impactos do Super El Niño não deverão ocorrer da mesma forma em todo o país. Segundo os pesquisadores, cada região apresenta vulnerabilidades específicas.

Região Sul
O Sul costuma registrar aumento das chuvas durante episódios de Super El Niño. Isso pode elevar o risco de:

enchentes;
alagamentos;
deslizamentos de terra;
cheias de rios.
Sudeste
Parte do Sudeste também tende a receber volumes maiores de chuva, favorecendo eventos extremos, especialmente em áreas urbanas e encostas suscetíveis a deslizamentos.

Norte e Amazônia
Na Amazônia, o comportamento costuma ser o oposto. O fenômeno favorece:

redução das chuvas;
secas severas;
queda no nível dos rios;
dificuldades no transporte fluvial;
problemas no abastecimento de água;
isolamento de comunidades ribeirinhas.
Na faixa costeira da Região Norte, pesquisadores também alertam para o risco de avanço da água do mar em áreas de relevo baixo, onde pequenas elevações do nível do oceano podem provocar impactos em grandes extensões.

Nordeste
Embora os efeitos possam variar entre diferentes áreas, especialistas alertam que o aumento das temperaturas e períodos mais secos podem agravar problemas relacionados à disponibilidade de água.

Centro-Oeste
O Centro-Oeste também pode enfrentar períodos mais quentes e alterações no regime de chuvas, afetando principalmente áreas agrícolas e aumentando o risco de estiagens.

Litoral brasileiro está mais vulnerável
Os pesquisadores afirmam que uma das maiores preocupações está nas áreas costeiras, onde vivem milhões de brasileiros.

Segundo Marcus Polette, professor da Univali (Universidade do Vale do Itajaí) e integrante da rede INPO, ouvido pela CNN, o país já registra um aumento dos desastres hidrometeorológicos provocado pelas mudanças climáticas.

“O Super El Niño não representa apenas uma mudança na temperatura do Oceano Pacífico. Em um planeta já aquecido, ele amplia a frequência, a intensidade e a duração de ondas de calor, secas e chuvas extremas”, afirma.

Além disso, especialistas alertam que boa parte do litoral perdeu parte de suas barreiras naturais ao longo das últimas décadas, tornando as cidades mais vulneráveis a ressacas, alagamentos e erosão.

Costa brasileira perdeu proteção natural
Outro fator que aumenta os riscos é a redução dos estoques naturais de sedimentos.

De acordo com Nils Edvin Asp, professor da UFPA (Universidade Federal do Pará), praias, dunas e outros ambientes costeiros dependem da reposição constante de areia para manter sua estabilidade.

Com esse equilíbrio comprometido em vários trechos do litoral brasileiro, cresce a vulnerabilidade diante de tempestades, ressacas e do avanço do mar, principalmente em áreas urbanizadas.

Probabilidade de ocorrência é elevada
O alerta também é reforçado pela OMM (Organização Meteorológica Mundial).

O relatório mais recente da entidade aponta 80% de probabilidade de desenvolvimento do Super El Niño entre julho e agosto de 2026 e mais de 90% de chance de permanência do fenômeno até novembro.

Já um levantamento do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) mostrou que 2025 foi marcado por uma sequência de eventos climáticos severos em praticamente todas as regiões do Brasil, reforçando a preocupação para os próximos meses.

Como o Brasil pode reduzir os impactos
Os pesquisadores defendem que a preparação deve começar antes da chegada do fenômeno.

Entre as principais medidas apontadas estão:

fortalecimento dos sistemas de monitoramento meteorológico e oceanográfico;
atualização dos planos de contingência da Defesa Civil;
mapeamento das áreas de maior risco;
investimentos em drenagem urbana;
recuperação de manguezais,
restingas, áreas úmidas e matas ciliares;
ampliação do monitoramento do nível do mar, ondas e transporte de sedimentos.
Na Amazônia, outra estratégia sugerida é ampliar o uso de cisternas para armazenamento de água da chuva, reduzindo os impactos durante períodos de estiagem.

Para Marcus Polette, adaptar cidades e comunidades aos novos padrões climáticos tornou-se uma necessidade urgente.

“A integração entre ciência, planejamento territorial, governança e adaptação climática será determinante para aumentar a capacidade de resposta dos territórios diante de eventos extremos que tendem a se tornar mais frequentes e intensos”, conclui.

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