Terra perde água doce suficiente para suprir 280 milhões de pessoas por ano
14/01/26

Getty Images
Um relatório internacional publicado pelo Banco Mundial aponta que os continentes da Terra estão perdendo cerca de 324 bilhões de metros cúbicos de água doce por ano — volume suficiente para atender às necessidades anuais de aproximadamente 280 milhões de pessoas. Essa perda massiva está ocorrendo em diversas regiões do planeta, representando um sinal de alerta sobre a deterioração dos recursos hídricos terrestres.
De acordo com o documento, a perda anual de água doce tem como principais causas práticas o uso excessivo de recursos, manejo inadequado da terra e da água, desmatamento, degradação de zonas úmidas e irrigação ineficiente em larga escala. Essas atividades aceleram a retirada de água dos aquíferos, rios e solos, superando a capacidade natural de reposição desses sistemas.
Os números apresentados no relatório mostram que, se considerados como um todo, os continentes estão “secando”: a cada segundo, o planeta perde o equivalente a cerca de quatro piscinas olímpicas em água doce. Estima-se que a perda líquida de água doce representa cerca de 3% do total de precipitação anual global, e em áreas áridas e semiáridas esse índice chega a impressionantes 10%, destacando a vulnerabilidade de regiões que já enfrentam escassez hídrica crônica.
Distribuição da Água
O relatório também indica que as perdas de água não estão distribuídas de forma uniforme. Regiões como África Subsaariana, sul da Ásia e partes do Sudeste Asiático são particularmente afetadas, onde a combinação de clima seco, uso agrícola intensivo e escassez de infraestrutura hídrica agrava o problema. Mesmo áreas tradicionalmente consideradas abundantes em água, como partes do sudeste do Brasil e outras zonas com forte crescimento urbano e agrícola, já enfrentam pressões significativas sobre seus recursos hídricos.
Especialistas envolvidos no estudo destacam que essa perda contínua pode ter efeitos profundos na segurança alimentar, no emprego rural, na biodiversidade e na estabilidade econômica. A água é essencial não apenas para consumo humano e saneamento, mas também para a produção de alimentos, energia e para manter ecossistemas inteiros funcionando. O estresse hídrico — situação em que a demanda por água supera sua disponibilidade — já é uma realidade em muitas partes do mundo e tende a se intensificar sem mudanças significativas na gestão dos recursos.
A nova análise do Banco Mundial também relaciona esse fenômeno à mudança climática, que altera padrões de precipitação, acelera a evaporação e pode agravar secas prolongadas. Além disso, fatores como a extração excessiva de águas subterrâneas para irrigação e consumo urbano contribuem para a redução dos estoques disponíveis.
Para enfrentar essa crise, o relatório recomenda políticas de gestão mais eficazes, que incluam o uso eficiente da água na agricultura, o fortalecimento da governança de recursos hídricos, a proteção de zonas úmidas e ecossistemas naturais que atuam como “esponjas” de água, e investimentos em tecnologias de reciclagem e reutilização.
